domingo, 24 de março de 2013
Dia de Sol, Pé Brasileiro & Baleias Havaianas
Do Cairo, pro Ushuaia; do Caribe pro Havaí; do lado de lá para o lado de cá; vivendo tipo Jumper. O guia da van dando "reingueluse" para o oficial da guarda costeira, que por sua vez respondeu com um “aloha” cheio de energia.
Passeio de caiaque, depois de quatro dias de mar, sem internet ou qualquer tipo de comunicação (algo relacionado a problemas com fibra ótica); primeira parada em um lugar em que nunca imaginara me ver parado: Hilo, Havaí.
Almoço, cochilo, calçados engraçados (Vibrams, os que parecem luvas), fones tocando Israel Kamakawiwo (ícone musical da Cultura Havaiana), boca salivando depois de comer sorvete artesanal de chá verde com banana e macadâmia.
Corte no pé, andando sobre conchas e corais; cor de camarão, tão relaxado que o pé já nem incomodava; flutuando sobre as águas da piscina natural formada pelos recifes, tomando meu tempo para aproveitar o tempo... GRITO!
Olho para uma criança que aponta para o mar; não muito distante, avisto a razão para tanto ruído; duas baleias surgem a menos de duzentos metros de distância, um show que duraria uns quatro minutos.
Dia de mar... Dia de porto! Sinto-me como na fábula do La Fontaine: Eu me esforço, eu trabalho, eu resisto e depois... Depois eu descanso!
Como meu irmão diria ultimamente: -Aí sim eu vi vantagem!
Mahalo.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Esse Negócio que Você Faz Vale a Pena?
"Hoje de manhã, atravessando o mar, vou me perder vou me encontrar, a cada vento que encontrar."
Nem eu imaginava que um dia seria assim. Há dois meses atrás eu estava no Egito e agora estou a menos de oito horas de pisar no quintal de casa a bordo do Grand Princess, navio em que sigo trabalhando há dois meses depois de duas inesperadas transferências. Foram mais de quarenta paradas diferentes em um período abrangendo pouco menos de seis meses. Inglaterra, Roma, Egito, Grécia, Atenas, Turquia, Itália, Croácia, Portugal, Porto Rico, Caribe, Barbados, Antígua, Estados Unidos, sério! Foram tantos lugares, tantas lembranças boas, tantas pessoas que conheci, um monte de adversidades, que juro, se você me perguntar se vale a pena? É provável que eu responda com uma pergunta: Vale a pena?
Poucos são os que lêem o que escrevo, mas deles, muitos já me advertiram quanto ao fato de que que não vou poder fazer isso por muito tempo, sério, quer saber a verdade? Vai durar enquanto tiver que durar, pois aqui comigo garanto que de mil tripulantes, pelo menos uns setecentos são apaixonados pelo mar; se eu for juntar todos só na minha companhia, são quase treze mil que vivem do mesmo jeito e dividem a mesma paixão e motivação.
A cada ano mais e mais navios surgem, a cada dia, mais e mais tripulantes aparecem, a cada dia, adicionamos um porto e um desafio novo a nossa agenda; enquanto isso alguns parecem viver cada dia se preocupando se amanhã é segunda feira. Não sei você, mas eu e meus amigos somos pagos para não nos preocuparmos com isso.
Ontem foi dia de mar, nos esforçamos ao máximo, eu acordei e prometi para mim mesmo que faria o melhor possível, investi toda minha energia em cada minuto, segui constante das sete da manhã até oito da noite. Hoje é dia de porto, não vou trabalhar! E você? Sério? Vai me perguntar se vale a pena? Depende? Chuva molha?
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Esse Ano, Eu Não Tentarei Nada de Novo
Eram duas da tarde, o barco ancorado em São Martin, e eu pronto a disparar para mais uma hora de corrida. Tênis, protetor solar (fator 30, livre de parabenzeno), fones no ouvido, óculos de sol, bermuda e sem camisa. Trilha sonora a base de um set de eletrônica que copiei há alguns meses atrás.
Saí, cruzando ruas e avenidas em direção à praia, alcancei a linha do mar azul caribenho, dei alguns sprints pela areia, voltei ao calçadão diferente do de casa, admirei os bares cheios de turistas e as mesas recheadas de taças de pina coladas e margaritas, olhei para o Garmin no pulso, que já marcava doze, treze por hora; diminui o ritmo para dar tempo de admirar o cenário a minha volta, de repente a música acabou, morreu a bateria do Ipod, e já que estava mais do que na metade do percurso, guardei o player no bolso e continuei a sessão.
Realidade? Foi o melhor que poderia ter acontecido, é só surgir um silêncio, por menor que seja; para os sentimentos começarem a falar e o racional começar a querer fazer mais sentido.
Não me preocupei em fazer novas resoluções para 2013, continuo um processo de construção das que escolhi para mim há alguns anos atrás. Mas ainda assim, como de efeito genial, ali, entre passadas gigantescas e um quadril pedindo chega, concluí algo que assim que voltei à minha cabine, registrei no papel.
Esse ano, eu não quero tentar fazer o que nunca fiz. Não quero tentar fazer a diferença. Não quero tentar me acostumar com mudanças, não quero tentar ser o melhor no que eu faço. Eu definitivamente não nasci para tentativas. Desisti de tentar e desejo, do fundo de todo meu entusiasmo que todos também parem de tentar.
Esse ano eu farei o que nunca fiz. Eu farei a diferença. Eu farei mudanças e me adaptarei a elas. Eu serei o melhor, sem competir contra os outros, mas contra mim mesmo. Eu não tentarei, pois todas às vezes que disse “vou tentar”, aceitei desde o principio a existência do erro. Esse ano farei experimentos, e de cada um deles, buscarei o êxito.
Hora de continuar minha busca. Atue.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
O Tempo é de Outros Tempos
Não caíram meteoros do céu e não choveram gafanhotos. Confesso que achei que fosse ver algo, ainda que fosse o sopro diferente do vento, ou um tremor repentino vindo da terra, mas não veio. E agora, fazer o quê? Entrar para o grupo dos que vão dizer que sobreviveram ao fim do mundo ou fortalecer ainda mais minha postura?
Vou na segunda opção. Meu mundo se acaba em todos os momentos. Assim como meu corpo e minhas idéias, tudo se transforma e nada é como vemos para sempre, até nossos olhos mudam.
Faça assim: deixe de lado o alívio de saber que você está bem em seu quarto refrigerado, e aceite que o mundo constantemente se acaba e nasce novamente, para muitos.
Vou aproveitar o fato de saber que ainda estou aqui para mostrar solidariedade aqueles que estão por perto, para dar um bom dia sincero a quem quer que seja; para ajudar pessoas, para me ajudar, para crescer de dentro para fora. Quero ser um mundo novo e não alguém que depende de um velho mundo para sobreviver.
Hoje estou em Fort Lauderdale, Miami. Embarco amanhã no Grand Princess, ficarei lá até Abril e em seguida, volto para casa para aproveitar as férias. Estou animado e cheio de expectativas em relação a esse barco.
Um beijo para os que dividem comigo de pura energia positiva. Um feliz Natal e próspero futuro para todos.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Só Passei Para Dar Um Alô
Dar um alô, que seja “holla”, que seja “hi”, ou apenas oi! Para todos que compartilham comigo a mesma linha. Ligação direta que não cobra interurbano entre homem e telefone; que não cobra extra por inspiração ou por falta da mesma. Nossa ligação não tem horários de pico, é baseada sempre na mesma tarifa: zero para qualquer tipo de cobrança, pois a conexão é natural, originária da espontaneidade da alma, capaz de pulsar até o dedão do pé.
Sigo navegando, pulando de porto em porto, e ainda assim tem horas que dá uma vontade de abrir um sorriso enorme ao pensar em todos que me dão ânimo, figuras importantes! São todos parte do que sou; daí confirmo: a conexão é direta.
Obrigado e por favor, quando terminarmos de falar, não desligue, pois essa ligação é gratuita.
Hoje é dia quinze de Dezembro, estamos no meio do oceano, fazendo nossa travessia de volta à América. Dois mil e doze, sou o instrutor de fitness a bordo. Preparando-me para um novo choque: daqui a três dias, estarei embarcando em um novo barco, novo itinerário, novos ventos... Ansioso! Mas deixa quieto; deixa quieto que a gente vai vendo!
Ah sim! Não desliga não hein?!
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Na Pressão
Quem a colocou dentro de sua cabeça? Quantos neurônios são necessários para calcular a noção exata do que é senti-la em sua mais fiel forma? Pressionar ou sentir-se pressionado. É como o “enter” do teclado: Aperte aqui (ou não) para começar.
Ninguém além do homem para decidir se a quer em sua vida ou não. Se por acaso chegar aquele momento em que sentir que lá está ela novamente, levante uma perna ao nível do peito, abra os braços e os olhos, trazendo a tona a mais perfeita imitação de Karate Kid.
Viva para competir contra si mesmo. Olhe em volta com a certeza de que esta é sua melhor fase. O resultado é uma consequência, o aprendizado para sempre uma realidade. A pressão, não existe, a menos que a faça pressionar algo, alguém ou a si mesmo.
Por isso sempre tranquilo. Por isso sigo tranquilo.
Quatro meses desde que comecei este contrato? Creio que sim. Estou escrevendo do Crown. Estamos no meio do cruzeiro que nos levará da Europa para o Caribe. No dia dezenove de Dezembro serei transferido para outro barco, sigo ainda sem saber qual.
Tenho aproveitado meu tempo livre para ler bastante: Brian Tracy, Zig Ziglar, Tad James e para distrair alguns romances. Escrevendo, cantando, viajando nas minhas novas batidas de rap. Correndo, malhando, correndo, malhando (Sim! Minhas maiores ocupações no momento!).
Por falar em correr. Lá vou eu de novo!
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Areia, Pirâmides & Um Pouco de Caos
São sete e trinta e cinco da manhã, já estou fora do navio e dentro do ônibus lotado de passageiros ansiosos. Já posso sentir o Sol rachando contra o teto de metal. São doze ônibus ao todo, o meu é um amarelo número sete. Para variar, minhas pernas não cabem no espaço entre o meu banco e o da frente, minha sorte é estar nessa excursão sozinho, viro as pernas para o banco do lado. Dois minutos mais e Heba, nossa guia, grita lá da frente: É hora de partir! Começamos a nos mover e na primeira curva, ainda na saída do porto, percebo que na frente do comboio de veículos turísticos, assim como ao fim do mesmo, seguem ao menos cinco carros representando uma exótica polícia de homens fardados, preparados para nos escoltar até o fim da viagem. Sinto uma estranha sensação de insegurança, mas fazer o quê? As coisas não estão fáceis para os que vivem aqui; sei que valerá o risco, mais três horas e chegaremos à boca do Saara, mais um pouco e poderei falar que tive a chance de ir ao Cairo e visitar as pirâmides do Egito!
Eu sabia que o trajeto entre o navio, que estava em Alexandria, até chegar ao Cairo seria longo, por isso aproveitei o tempo ocioso para dormir. Acordei alguns minutos antes de Heba anunciar que já estávamos próximos, despertei na verdade com uma mosca zunindo ao pé do ouvido.
Ao olhar para os lados, eu pude ver o que meses atrás, só via na CNN: Caos, miséria e destruição; ruas entulhadas de lixo, um rio Nilo poluído, poeira, construções inacabadas... Pobreza.
Entre interrogações e exclamações de surpresa e pena; assumo que me deparei com um cenário bem pior do que eu esperava: puro caos urbano. Cada cruzamento parecia uma viagem mais profunda a um estado apocalíptico de destruição.
Felizmente, minutos depois, ainda chegando ao centro do Cairo, tentando enxergar algo positivo em tudo à minha volta, meus olhos se despertaram para uma nova realidade: vi pessoas buscando por mudança em meio à dificuldade, crianças decididas indo para a escola, mães que acenavam e bocas que sorriam à passagem de um ônibus de vidro fumê que com certeza já é conhecido por vir cheio de turistas com dólares no bolso.
E foi assim que depois de pouquíssimo tempo, vi surgir de trás de um prédio empoeirado, algo maior e mais impressionante do que possa parecer em qualquer foto: a ponta da maior de todas as pirâmides do Egito.
Tive a chance de visitar não só as famosas pirâmides de Gizé, como também a pirâmide em degraus de Djoser que é a mais antiga de todas as construções egípcias! Fui à Esfinge (só não dei um peteleco no nariz dela); queimei o dedão nas areias do deserto do Saara; conversei com os locais; fui a uma feira de antiguidades; esfreguei uma lâmpada que por mais genial que parecesse não tinha um gênio; comprei uma túnica depois de pechinchar e tirei fotos que valeriam qualquer opção de férias.
Aproveitei viu! Aproveitei e sem dúvida tive chance de refletir e me inspirar um pouco mais para aceitar que tem mais mistério no nosso passado do que imaginamos. Aproveitei também para aceitar que a vidinha que eu levo, e que você leva é muito mais fácil do que a vida de muita gente nesse imenso presente. Chance de olhar em volta e mais uma vez ser grato pelo que tem.
NOTA: A palavra pirâmide não provém da língua egípcia. Formou-se a partir do grego"pyra" (que quer dizer fogo, luz, símbolo) e "midos" (que significa medidas).
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Mova-se! Porque é Mais do Que Preciso...
Pra que Nilo?! Larga isso aí! Vai fazer outra coisa...
Eu malho por que eu gosto, eu me exercito por que eu amo um desafio, eu gosto de sentir o sangue surfando freneticamente nas paredes arteriais, seja quando eu levanto algum peso extra, seja quando eu saio desvairado a correr ou pedalar pelas ruas desse mundão.
Ontem mesmo, olhei lá para fora, soprava um vento forte, o céu nublado e o navio ancorado em Mykonos, eu poderia muito bem ter voltado direto para minha cabine e ter dormido um sono daqueles, mas não, agarrei uma bicicleta e fui inspirado por uns graves de RAP a subir e descer pelas ruas estreitas da ilha grega.
Agora mais do que legal, aposto que já ouviu falar a respeito da importância do exercício, se não foi através de seus pais que te colocaram no esporte desde cedo, ouviu da tevê que te colocou a sonhar em ser jogador ou dançarina, ouviu do médico que te disse que é importante se exercitar para perder peso, baixar a pressão arterial, diminuir o colesterol e os riscos do diabetes.
O problema é que grande parte das pessoas que conheço cria desculpas para não se exercitar.
Esqueça o peso extra, deixe de lado essa ideia de que quem malha é superficial, pare de dizer que não tem tempo, malhar ou praticar esportes não precisa ser caro e acima de tudo: Esqueça o doutor que lhe disse que você PRECISA se exercitar. Muitos dos doutores, clínicos e especialistas que tive a oportunidade de visitar até hoje PRECISAM tanto ou mais de exercícios do que muitos de nós.
Se você pensa que se exercitar é cansativo, mude a estratégia: Tenho certeza de se tivéssemos a chance de conversar por alguns minutos, eu poderia encontrar a razão de sua insatisfação.
Coloque seu corpo para trabalhar! Três sessões por semana, trinta minutos cada, intensidade moderada e você já progrediu mais do que muitos à sua volta: reduzirá danos à sua saúde e acima de tudo fará um gesto de amor por aqueles que você ama e quer bem.
Outro dia parei para contar: Só de meu círculo de amigos e familiares, perdi dezoito por conta de enfermidades como câncer, diabetes, obesidade, infarto, alcoolismo e distúrbios mentais.
Não é necessário ser exato quanto aos números para afirmar que a humanidade está se deteriorando. Nosso corpo é o mesmo há mais de cinquenta mil anos e a única coisa que mudou foram nossos hábitos e meio-ambiente.
De forma geral a cada dez pessoas que você vê na rua, três sofrerão de diabetes, cinco de câncer, cinco de problemas cardíacos, oito de problemas respiratórios, dez de distúrbio causado por stress com futura ou já real necessidade de ser aliviado através de drogas lícitas como medicamentos, açúcar, café, cigarro e álcool e televisão.
As máquinas do ginásio não devem lembrar instrumentos de tortura, por isso se não gosta do ambiente da academia: PARE DE DAR DESCULPAS PARA SEUS PROBLEMAS E MOVA-SE!
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Você É Quem É Você
Você é o que você come. Eu não sei nem mesmo explicar o que é glucamato de sódio ou emulsificante a base de leticina de soja, então quem sou eu?
Pare.
E pense.
Nós brigamos, discutimos, perdemos fios de cabelo, ganhamos peso e perdemos a paciência seja no escritório, casa, viagens, reuniões familiares e até mesmo em eventos festivos no intuito de provar nosso ponto de vista; mas no fim quem somos nós se não sabemos nem a razão pela qual optamos por isso ou aquilo? No fundo qual é realmente o nosso ponto de vista se quando o duelo de dúvidas termina, resta cansaço, esquecimento, desculpas e águas passadas.
Pare.
E reflita.
Refletir. Gostei disso, o negocio funciona! Poupa tempo, afinal só você mesmo para se interromper; não faz barulho, a menos que você também fale sozinho; é imparcial, mas favorece sempre o seu lado e ainda te dá quatro a cinco conclusões seguidas de oito a dez novas dúvidas que você nem mesmo tinha.
Vivo como em uma prova de química, minha estratégia é responder as perguntas mais fáceis primeiro (as fáceis são aquelas que têm resposta), daí sigo para as mais difíceis e se não consigo responder, pulo.
Li que é da natureza humana tentar achar uma razão para tudo, e se está difícil aceitar que existem perguntas sem resposta, sugiro o uso de ferramentas valiosas como os koans (provérbios, diálogos ou perguntas provenientes do budismo que servem como auxílio à meditação).
Ainda assim vale ressaltar, que existem perguntas fáceis. Por que você come carne? Por que você trabalha aqui? Por que você quer casar? Por que você não muda? Quem disse que você não pode? Por que você ainda não abriu um plano de previdência? Lembre: as fáceis são as que você consegue responder de primeira, e não importa se no final tiver sido a alternativa errada, desde que você aprenda com suas escolhas ( e desde que você se desafie a “errar”).
Outro dia estava assistindo Revólver, um filme de 2005 com o Jason Statham, o careca com voz rouca do filme Carga Explosiva. Tem uma passagem em que alguém diz: “Se você muda as regras do que controla você, você muda as regras do que você pode controlar”.
Tente. Mude. Repense o que considera importante. E viva. Mas antes, responda: Quem é você?
Nilo Lima (hoje) é um garoto cabeça aberta, sem camisa, com calcanhar direito dolorido (pedalando em Katakolon) e clavícula esquerda estalando (menos peso da próxima vez) na frente do computador, terminando o texto que você lê, satisfeito por ter comido mais uma refeição balanceada, tranquilo, grato, moderado, sem picos de felicidade ou tristeza, relendo o último parágrafo enquanto o navio suavemente balança antes de chegar a uma pequena ilha chamada Mykonos.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
É um Mar de Oportunidades!
Já se foram duas semanas no Crown, portos magníficos, lugares extraordinários; eu paro e me pergunto, onde foi que acertei? Tem gente que reclama, porém eu, nesse momento, quero apenas continuar reclamando o que é meu por direito conquistado através de muita luta e pouca conduta, por aqui não me falta nada!
Conduta demais, regras demais, só nos levam ao mesmo caminho, então estou deixando os dias me guiarem e vendo aonde o barco me levará. Aproveitando para ler alguns romances, já que acabei de deixar o mais novo e importante em “stand by”, aprendendo com erros, aplaudindo acertos, vendo alguns filmes e gravando novas cenas da vida real. Cantando no meu quarto BIG SIZE, produzindo novos ritmos para comentar através de música a melodia da vida que consumo. Desenhando a face dos que passaram por mim. Gastando papel, borracha, grafite e nanquim para ilustrar a ficção real de minha vida moderna.
E daí que o cruzeiro não foi o melhor quanto a rendimentos bancários. Se o mar não está para peixe aproveite o tempo de sobra para aprimorar seus conhecimentos. Lendo bastante sobre práticas saudáveis de alimentação e tentando melhorar alguns exercícios de ioga que aprendi recentemente. Minha nova diversão e que tem me acalmado bastante nesse último mês: Tai Chi.
E já que meu trabalho envolve cuidar do corpo, me deixe cuidar do que é meu! Sigo comendo de seis a oito vezes por dia, correndo em dias alternados, pedalando sempre que possível, levantando peso todos os dias e dormindo bem, por que é preciso!
A diversão da semana, sem dúvida foi Santorini, um dos portos da Grécia! Desafio para chegar ao topo, e 20 km de corrida sob Sol e poeira intensa! Juro que se não fosse pelas casinhas brancas e o mar azul à minha volta, poderia dizer que estava em Marte!
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Do Universo ao Adverso
Acordo. Chega a hora de que já não dá para ser o mesmo. Mudou. O tempo. As horas. O barco. A menina do cabelo dourado já não está no reflexo do espelho quando passo em direção a minha sala. Não têm italianos lá fora... Agora são croatas! O que vim fazer no outro lado do Mediterrâneo? Não sei! Recordo-me do “Alto da Compadecida”: - Não sei, só sei que foi assim.
Tudo o que é, pode não ser. Pode ser que seja, mas se realmente for, o que é? Até quando será?! Terá planos? E até quando serão planos? Enxergará curvas no caminho?
Vai fazer três meses desde que voltei para meu terceiro contrato. Para quem não sabe, hoje trabalho como instrutor de fitness a bordo de navios. Sou responsável por administrar aulas básicas de ioga, pilates, ciclismo, corrida, alongamento, boxe, tai chi, treinamentos em circuito para um público variado. Comecei no Rubi Princess, fiz amigos, conheci uma menina fora de série, visitei lugares absurdos, me desafiei, criei vínculos, mas contra minha vontade recebi uma visita desconfortante do Adverso.
O adverso veio para me avisar que por conta da saída de um dos instrutores, eu teria que ser reposicionado para outro navio. Larguei tudo para trás e aqui estou eu, me desafiando novamente em um lugar outrora visitado. De volta ao Crown! O mesmo navio onde eu começara minha aventura há quase três anos atrás.
Ainda estou me acostumando com o ambiente, mas admirado com a excentricidade dos novos portos: Dubrovnik (Croácia), Corfu (Grécia), Katakolon (Grécia), Atenas, Mykonos (Grécia), Kusadasi (Turquia), Santorini (Grécia), Slipt (Croácia), Alexandria e em Dezembro surgirão mais alguns.
De corpo entusiasmado, mas com meu coração ainda com cara de assustado, me pergunto enquanto miro meu reflexo no espelhar do monitor: - Fazer o quê? Saudade uma hora passa. Navegante, só me resta navegar!
“O mar em que eu navego é a saga em que eu sigo as cegas.”
sábado, 15 de setembro de 2012
Pausa Para Dois Goles D’água e Entusiasmo
Se informação fosse sinônimo de poder, bibliotecários seriam milionários. Informação só nos dá poder quando somos capazes de transformá-las em ação efetivamente. Quantas foram as vezes em que alguém tentou te ensinar algo e você debilmente não deu valor a oportunidade? Foi aprender por conta própria, dias depois através de seus próprios erros.
Veja se concorda comigo? Tem dois tipos de pessoas no mundo: as que deveriam e as que devem (precisam) tomar uma atitude. As que deveriam são aquelas que passam a vida toda dizendo que deveriam estudar mais, deveriam trabalhar menos, deveriam comer melhor ou deveriam tentar correr um dia desses. As que devem são aquelas que vez por outra se esquecem de quem realmente são, mas que quando no auge do entusiasmo, são capazes de dizer que devem mudar, devem lutar, devem reagir, devem ser elas mesmas, devem e devem agora, pois amanhã já é tarde.
Cada dia é uma nova chance para se enxergar a importância de transformar os “deveríamos” em “devemos”, sempre com a certeza de que estamos fazendo o possível para alcançar o que temos em mente.
Se eu tive momentos em que deixei me desanimar, os sobreponho com momentos de inspiração e entusiasmo, que, diga-se de passagem, vem do grego “en theos”, convertendo para o português: Em Deus. Não! Não quero dissertar sobre religião! Mas sentir-se entusiasmado é ou não é uma sensação incrível?!
Conclusão: Entusiasmo vale mais do que dois “Pai Nossos” e uma “Ave Maria” da boca pra fora!
domingo, 26 de agosto de 2012
Meu Mar é Meu House
Ouço o barulho das ondas esfarelando contra o maciço do navio Ruby. Escrevo mais uma vez cheio de energia, mas assumo sem medo, que os dedos nesse exato momento são os únicos capazes de seguirem no ritmo acelerado do meu dia-a-dia. São onze e quarenta da noite, comecei às sete da manhã com dezesseis alunos animados para mais uma aula de boxe coreografada em cima dos batidas mais envolventes possíveis; seguimos com abdominais e um desafio chamado “Crew Alert” (um tal de deitar e levantar enquanto se ergue halteres de peso desafiadores que inventei um dia desses...); pausa para meu treino e depois duas horas pedalando pelas ruas de Atenas, calor inacreditável! Voltei as seis para uma sessão de exercícios para pernas, as sete eu parei para comer, as sete e trinta Tour de Cycle (Spinning baseado no Tour de France) apenas para tripulantes. As oito fui eu de cabine em cabine distribuindo folhetos para divulgar um de nossos seminários; as nove um circuito de exercícios atrevidos para as meninas do spa; as dez da noite finalmente algo mais para comer e finalmente algum tempo para relaxar.
Cansado! Mas valeu cada caloria... E ainda por cima estou ganhando para isso... Inhale... Exhale... Inhale... Exhale... Olhe para frente, e curta mais um belo dia a bordo do Extravagante Ruby Princess! Nem eu pensava que eu fosse chegar tão longe! Uma palavra: Obrigado.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Navegante: Do Brasil Para o Mediterrâneo
Um mês a bordo do Ruby! Quem diria que daqui de dentro passaria tão rápido, rápido até demais, como conheci pessoas incríveis nesse meio tempo! Trabalhando com ritmo de pescador, é assim que as coisas funcionam aqui dentro; acordo bem cedo e tomo um bom café da manhã, o ginásio é o meu mar e é de lá que eu tenho que me esforçar e navegar o máximo para construir relações novas com cada passageiro que conheço; são dessas relações que pesco números e experiências recompensadores no final de cada semana.
Se não trabalho não ganho, tentar não é o suficiente. Aprendi que ter informação, ao contrário do que sempre pensei não é sinal de poder extremo, ação sim é poder ilimitável. Tomo minhas ações a cada segundo, mais inspirado em crescer. Descobri que o impossível é uma palavra muito grande usada por pessoas pequenas para tentar nos oprimi. Já não me limito.
O sol aqui é forte, o percurso do navio envolve doze dias no Mediterrâneo, parando em portos exóticos com Kusadasi (Turquia), Istambul, Livorno, Civittavechia, Mykonos, Atenas, Barcelona, Veneza, Nápoles e Monte Carlo (Mônaco). Até então aproveitei mais das praias, dos passeios desafiadores de bicicleta, das corridas extenuantes ao lado do amigo mexicano Javier. Ao poucos me darei tempo para conhecer os lugares mais famosos de cada região, por enquanto ainda guardo na lembrança um dia de sol impiedoso em Pompeia, a cidade que um dia fora engolida pelo poder do vulcão Vesúvio.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Primeiro Ar, Terceira Estrofe
Começou com um barulho incessante, tentei me desvencilhar do ruído e daí, quando percebi, me envolvi naquele ritmo inviável e incontrolável, primeiro dia de treino, segundo momento de vida renovada. Lá estava eu a beira de um abismo sem fundo, pura redundância magnética, parado em frente ao espelho, com a alma pulsando o grave e os agudos da trilha sonora que só começara; uma mistura de house, techno e hardcore.
Nova vida, vida nova. Abri os olhos, estava em Londres, só eu sei o que eu passara para chegar até ali. Só os loucos sabem. Confesso que até eu mesmo, ainda estou tentando me lembrar de tudo o que precisei fazer; só sei que quando dei por mim já não usava mais terno e gravata, ou muito menos roupa branca com vincos; simplesmente adequei a carcaça externa à minha anatomia espiritual.
Estudei, corri atrás, fiz tudo novamente, inspiração vinda de todos os lados, mãe, irmão, família, amigos que não me deixaram parar, acreditei... E acima de tudo desejei. Corri atrás de um novo certificado, comi e bebi dos livros como se fosse proteína em pó, a cada dia cobrei mais e mais de mim mesmo e lá estava eu brigando por uma nova oportunidade: trabalhar com a misteriosa ciência do bem-estar, me desafiar a cada dia e provar para mim mesmo que nunca é tarde para tentar novas possibilidades.
“Se algum dia ao olhar ao seu redor não encontrar um caminho, dê um passo adiante e descubra que você acabou de criar um novo.”
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Grafia, Auto, Bio & Pés no Chão
Nem estou com paciência de escrever. Sério! Venho aqui, coloco uns “parolológrafos” insanos sobre minha vida a infinitas milhas de distância, para no final alguém vir me perguntar: - E aí? Cadê você? Já desembarcado? Sério? Como é que é lá dentro? Você estava no Costa? É punk viu!
Outro dia, conversando com um ucraniano aqui lá da desk, acabamos por falar sobre autobiografias; ele estava lendo um e-book sobre a vida de Tesla, um inventor de um
dos países da extinta URSS. Ele disse algo tipo:
- Biografias? Por que não? Agora, autobiografias?! Você consegue imaginar o tanto que esse caras devem ser afetados mentalmente. Eles devem viver em um crise muito grande de existência! E o alterego?! “Vivi e agora vou publicar algo sobre minha própria vida”. Concorda Ni?
Concordei em partes, as razões para uma autobiografia são diversas: um escritor talentoso e criativo em busca de fama; uma menina que também leu autobiografias e encontrou nelas motivação (ver os outros para enxergar a si mesmo); alguém que vivera sob condições políticas conturbadoras (vejamos a censura em nosso país); homens e mulheres que se acham bons o suficiente para terem um livro a seu respeito e por último... Os que trazem formigas invisíveis dentro de suas cabeças, que fazem da escrita, informal ou rebuscada, um dos espelhos para autoreflexão.
Olha, garanto que dos casos que sugeri, eu até que sou bom o suficiente para ter um livro sobre mim, mas é nos insetos invisíveis que encontro a razão para manter esses relatos! Vivo em batalha constante com meu alterego, mas a cada foto que tiro, a cada vídeo que filmo, rima ou poesia nova que crio, nanquim que sujo no papel, textos abusivos de expressões discordiosas e palavras inexistentes invencíveis que escrevo, chego a conclusão de que estou aprendendo até que “bastantinho” com minha vida e eu amo essa danada!
O Nilo de hoje já está de volta ao solo brasileiro; se me me perguntar como estou ou onde fui, responderei que sigo navegante, curioso, cheio de planos e... Bem, se realmente tiver curiosidade em saber... Me procura depois dos blocos, quem sabe não lanço uma autobiografia!
Fiquem com Deus.
Outro dia, conversando com um ucraniano aqui lá da desk, acabamos por falar sobre autobiografias; ele estava lendo um e-book sobre a vida de Tesla, um inventor de um
dos países da extinta URSS. Ele disse algo tipo:
- Biografias? Por que não? Agora, autobiografias?! Você consegue imaginar o tanto que esse caras devem ser afetados mentalmente. Eles devem viver em um crise muito grande de existência! E o alterego?! “Vivi e agora vou publicar algo sobre minha própria vida”. Concorda Ni?
Concordei em partes, as razões para uma autobiografia são diversas: um escritor talentoso e criativo em busca de fama; uma menina que também leu autobiografias e encontrou nelas motivação (ver os outros para enxergar a si mesmo); alguém que vivera sob condições políticas conturbadoras (vejamos a censura em nosso país); homens e mulheres que se acham bons o suficiente para terem um livro a seu respeito e por último... Os que trazem formigas invisíveis dentro de suas cabeças, que fazem da escrita, informal ou rebuscada, um dos espelhos para autoreflexão.
Olha, garanto que dos casos que sugeri, eu até que sou bom o suficiente para ter um livro sobre mim, mas é nos insetos invisíveis que encontro a razão para manter esses relatos! Vivo em batalha constante com meu alterego, mas a cada foto que tiro, a cada vídeo que filmo, rima ou poesia nova que crio, nanquim que sujo no papel, textos abusivos de expressões discordiosas e palavras inexistentes invencíveis que escrevo, chego a conclusão de que estou aprendendo até que “bastantinho” com minha vida e eu amo essa danada!
O Nilo de hoje já está de volta ao solo brasileiro; se me me perguntar como estou ou onde fui, responderei que sigo navegante, curioso, cheio de planos e... Bem, se realmente tiver curiosidade em saber... Me procura depois dos blocos, quem sabe não lanço uma autobiografia!
Fiquem com Deus.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Doze Dezembro
“A casca do corpo é dura e esconde uma população curiosa, são idéias que vivem ali dentro e passam por transformações constantes. As histórias de dois mil e onze passagens deixaram na boca do camaleão o “doze” desejo de ir em frente; por conta delas e por felicidade de vinte e três passagens por qual passara substancialmente o mesmo segue seu legado.”
Trezentos e sessenta e cinco dias no ano e os números em ordem progressiva ainda não me dizem nada; buscando por conclusões, a única que colho da calculadora, é o desejo de transformá-las em rima e poesia.
O tempo voa quando se faz o que gosta; no barco então, dá até a impressão que estamos navegando com potência em dobro. O tempo por outro lado pára, às vezes. O tempo pára.
Acho que essa é uma das maiores provas que encontrei até hoje para ter razões em acreditar no que o Gabriel cantava: “Se a gente muda o mundo, o mundo muda com a gente” e isso inclui o tempo.
Tomo dez horas em pé, vendendo minha vida em busca de notas de papel e momentos de folga; tem dias que leva uma infinidade para o ponteiro do relógio girar.
Por outras vezes, em outras áreas do relógio, o ponteiro parece girar mais rápido, tipo outro dia quando desci em Grande Caimã.
O gerente me avisou que a excursão na qual eu iria participar de início tinha sido cancelada e por fim eu teria que ir a outra. Acabei em uma lancha só para mim!
Lembro claramente do pé trêmulo no acelerador enquanto o “barquinho” pilotado por mim cortava as ondas azuis, feito manteiga. De relance olhava o painel marcando números que variavam de oitenta a noventa quilômetros por hora, sentia o coração dançar dentro do peito e admirava as sombras dos corais no fundo do mar. Depois de alguns bons momentos, paramos em alto mar, ainda bem distantes da ilha, para uma explicação quanto ao rife sobre o qual estávamos.
Daí eu me recordo de pular da pequena lancha e ser puxado pela gravidade.
Como se acabara de ter sido transportado para uma nova dimensão, eu só via ao meu redor peixes de cores radiantes e corais que pareciam dançar acompanhando a correnteza das águas; ficamos ali quase duas horas admirando tudo através das máscaras de mergulho. Foi bom, muito bom! Mas passou rápido.
Já ouvi e já li que os dias estão ficando mais curtos; curtos ou não, o ano rendeu bastante quando penso que Janeiro já não está ali atrás, mas sim, logo ali na frente.
Dois contratos com o Crown, cheio de novas pessoas, mergulhos, passeios, comidas que nunca pensei que comeria; férias de dois meses, textos e desenhos, filmes, músicas que já dão para escrever um livro só de pensar.
Sem contar com cada ilha do Caribe, países que já não consigo contar nos dedos: México, Estados Unidos, Canadá, Portugal, França, Holanda, Groenlândia, Islândia, Inglaterra, Escócia, Irlanda (do Sul e do Norte). Cinqüenta e seis portos visitados! Posso dizer que está valendo o tempo e esforço. Esse provavelmente será o último texto antes do Natal, meu aniversário e Ano Novo, sendo assim, não vou perder tempo com os dizeres de sempre, mudarei:
Torne o Natal de alguém feliz e nunca para de buscar sua própria felicidade. O vinho que servirá só dura até a última gota da garrafa; porém quanto dura um sentimento?
Deixa eu navegar.
Trezentos e sessenta e cinco dias no ano e os números em ordem progressiva ainda não me dizem nada; buscando por conclusões, a única que colho da calculadora, é o desejo de transformá-las em rima e poesia.
O tempo voa quando se faz o que gosta; no barco então, dá até a impressão que estamos navegando com potência em dobro. O tempo por outro lado pára, às vezes. O tempo pára.
Acho que essa é uma das maiores provas que encontrei até hoje para ter razões em acreditar no que o Gabriel cantava: “Se a gente muda o mundo, o mundo muda com a gente” e isso inclui o tempo.
Tomo dez horas em pé, vendendo minha vida em busca de notas de papel e momentos de folga; tem dias que leva uma infinidade para o ponteiro do relógio girar.
Por outras vezes, em outras áreas do relógio, o ponteiro parece girar mais rápido, tipo outro dia quando desci em Grande Caimã.
O gerente me avisou que a excursão na qual eu iria participar de início tinha sido cancelada e por fim eu teria que ir a outra. Acabei em uma lancha só para mim!
Lembro claramente do pé trêmulo no acelerador enquanto o “barquinho” pilotado por mim cortava as ondas azuis, feito manteiga. De relance olhava o painel marcando números que variavam de oitenta a noventa quilômetros por hora, sentia o coração dançar dentro do peito e admirava as sombras dos corais no fundo do mar. Depois de alguns bons momentos, paramos em alto mar, ainda bem distantes da ilha, para uma explicação quanto ao rife sobre o qual estávamos.
Daí eu me recordo de pular da pequena lancha e ser puxado pela gravidade.
Como se acabara de ter sido transportado para uma nova dimensão, eu só via ao meu redor peixes de cores radiantes e corais que pareciam dançar acompanhando a correnteza das águas; ficamos ali quase duas horas admirando tudo através das máscaras de mergulho. Foi bom, muito bom! Mas passou rápido.
Já ouvi e já li que os dias estão ficando mais curtos; curtos ou não, o ano rendeu bastante quando penso que Janeiro já não está ali atrás, mas sim, logo ali na frente.
Dois contratos com o Crown, cheio de novas pessoas, mergulhos, passeios, comidas que nunca pensei que comeria; férias de dois meses, textos e desenhos, filmes, músicas que já dão para escrever um livro só de pensar.
Sem contar com cada ilha do Caribe, países que já não consigo contar nos dedos: México, Estados Unidos, Canadá, Portugal, França, Holanda, Groenlândia, Islândia, Inglaterra, Escócia, Irlanda (do Sul e do Norte). Cinqüenta e seis portos visitados! Posso dizer que está valendo o tempo e esforço. Esse provavelmente será o último texto antes do Natal, meu aniversário e Ano Novo, sendo assim, não vou perder tempo com os dizeres de sempre, mudarei:
Torne o Natal de alguém feliz e nunca para de buscar sua própria felicidade. O vinho que servirá só dura até a última gota da garrafa; porém quanto dura um sentimento?
Deixa eu navegar.
domingo, 20 de novembro de 2011
Gelatina, Jazz & Caribe
Ognjen está ouvindo Cinematic Orchestra, um grupo que conheci há poucos dias; misturam rap com soul, jazz com mestre de cerimônia, piano com raiva, tipo de música que cai bem com um bom headphone e um pote gelado de gelatina. Eu estou sentado na frente do Positivo escrevendo umas palavras que vão passando na batida do bumbo e no balanço da onda lá fora, a escotilha do quarto 4254 está aberta. Ele não para de falar enquanto eu escrevo. Eu não paro de escrever e rir enquanto ele fala. Meu companheiro de quarto é um cara legal, um tanto quanto revoltado às vezes. Já eu, sou um revoltado de quarto um tanto quanto legal imagino (espero).
Pulando a introdução, indo direto ao prato principal, eu tenho que marcar no papel digital que felicidade é mais do que um monte de fotos e risos. A meu ver, “feliz” é uma chuva de sentimentos e argumentos registrados de sigo pra sigo mesmo, cada um tem sua noção individual do que é o adjetivo; então dá um tempo e deixa-me navegar.
Novembro, doce novembro... Não! Até então salgado, um tanto salgado novembro! É que desse lado não posso deixar de me embebedar de bronze e água do mar; as praias daqui revitalizam qualquer corpo cansado. Tenho trabalhado bastante, mas faço valer à pena.
Muitos foram os lugares por qual tivemos oportunidade de visitar desde que deixamos a Europa e voltamos para América. Quebec, Saint John, Sydney foram alguns dos portos que visitamos no Canadá. New Port, Portland, Boston, Charleston, Charlottetown, Nova York, grandes portos da terra do Big Mac.
Passamos também por dez dias de Dry Dock (“doca seca”), período em que o navio entra em manutenção e por fim, seguimos para Port Everglades (Miami) para uma nova temporada Caribenha.
Os cruzeiros agora são de sete dias: um dia em Princess Cays (Bahamas), um dia de mar, um dia em Curaçao, um dia em Aruba, dois dias de mar e de volta a Miami. Haverá semanas em que o itinerário mudará incluindo Roatã (Honduras), Ilhas Cayman, Belize, Cozumel (México) e Bonaire.
Já conhecia Princess Cays do contrato anterior, quanto a Curaçao e Aruba são lugares incríveis. Tirei um dia em Curaçao para fazer snorkel (aquele mergulho com pés de pato e uma máscara esquisita com um tubo para se respirar), fomos até um barco naufragado onde nadei cercado por mais de quinze tipos de peixe. Em Aruba aproveitei para correr até a praia (Palm Beach), uma hora de asfalto, quase duas de terra e areia que farei questão de repetir.
As duas ilhas, ambas protegidas pela UNESCO, são colônias holandesas, apesar de independentes. Lá todos falam Papiamentu (língua local), Espanhol, Inglês e Alemão. Estou animado com esse clima de sol e praia e a maré mais uma vez se mostra a meu favor.
Semana passada, descobri que serei transferido para o departamento de excursões. Por conta disso, tenho a obrigação de conhecer as opções que oferecemos aos passageiros; nada melhor do que experimentar cada uma das opções para ter certeza.
Voltei a Aruba semana passada e visitei os principais pontos da ilha. Um jardim de Borboletas, uma fazenda de Avestruzes, uma ilha com brinquedos aquáticos e bebidas exóticas, um ponto excelente para snorkel, um farol com mais de duzentos anos e uma ponte natural que passa sobre o mar.
Amanhã estarei em Cayman. Hoje é domingo, já escrevi o bastante. Vou comer minha gelatina e descobrir o que tem ali no horizonte. Já volto.
Pulando a introdução, indo direto ao prato principal, eu tenho que marcar no papel digital que felicidade é mais do que um monte de fotos e risos. A meu ver, “feliz” é uma chuva de sentimentos e argumentos registrados de sigo pra sigo mesmo, cada um tem sua noção individual do que é o adjetivo; então dá um tempo e deixa-me navegar.
Novembro, doce novembro... Não! Até então salgado, um tanto salgado novembro! É que desse lado não posso deixar de me embebedar de bronze e água do mar; as praias daqui revitalizam qualquer corpo cansado. Tenho trabalhado bastante, mas faço valer à pena.
Muitos foram os lugares por qual tivemos oportunidade de visitar desde que deixamos a Europa e voltamos para América. Quebec, Saint John, Sydney foram alguns dos portos que visitamos no Canadá. New Port, Portland, Boston, Charleston, Charlottetown, Nova York, grandes portos da terra do Big Mac.
Passamos também por dez dias de Dry Dock (“doca seca”), período em que o navio entra em manutenção e por fim, seguimos para Port Everglades (Miami) para uma nova temporada Caribenha.
Os cruzeiros agora são de sete dias: um dia em Princess Cays (Bahamas), um dia de mar, um dia em Curaçao, um dia em Aruba, dois dias de mar e de volta a Miami. Haverá semanas em que o itinerário mudará incluindo Roatã (Honduras), Ilhas Cayman, Belize, Cozumel (México) e Bonaire.
Já conhecia Princess Cays do contrato anterior, quanto a Curaçao e Aruba são lugares incríveis. Tirei um dia em Curaçao para fazer snorkel (aquele mergulho com pés de pato e uma máscara esquisita com um tubo para se respirar), fomos até um barco naufragado onde nadei cercado por mais de quinze tipos de peixe. Em Aruba aproveitei para correr até a praia (Palm Beach), uma hora de asfalto, quase duas de terra e areia que farei questão de repetir.
As duas ilhas, ambas protegidas pela UNESCO, são colônias holandesas, apesar de independentes. Lá todos falam Papiamentu (língua local), Espanhol, Inglês e Alemão. Estou animado com esse clima de sol e praia e a maré mais uma vez se mostra a meu favor.
Semana passada, descobri que serei transferido para o departamento de excursões. Por conta disso, tenho a obrigação de conhecer as opções que oferecemos aos passageiros; nada melhor do que experimentar cada uma das opções para ter certeza.
Voltei a Aruba semana passada e visitei os principais pontos da ilha. Um jardim de Borboletas, uma fazenda de Avestruzes, uma ilha com brinquedos aquáticos e bebidas exóticas, um ponto excelente para snorkel, um farol com mais de duzentos anos e uma ponte natural que passa sobre o mar.
Amanhã estarei em Cayman. Hoje é domingo, já escrevi o bastante. Vou comer minha gelatina e descobrir o que tem ali no horizonte. Já volto.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
De Nilo a Navegante
Nasci. Brinquei. Nunca fui de jogar bola, mas joguei videogame. Queria um Playstation, não tinha, então desenhava e jogava Nintendo. Sofria bullying na escola, ia para casa, matava no lápis os monstros que me assustavam. Além de Deus, pais e irmão, aprendi a ser meu melhor amigo. Um noite meu pai me beijou e saiu para seu último copo; não chorei e fui brincar.
Descobri o que era asma e nebulização. Entre crises e saudade, a vida melhorou. Mudei de casa e de escola, ganhei um Playstation. Conheci meu primeiro melhor amigo. Um ano depois, percebi que ele me fazia de otário; descobri o que era e resolvi virar bobo. Minha mãe me colocou no inglês, eu não queria e meu irmão me convenceu. Tinha talento com o inglês e decidi que queria ser professor. Resolvi fazer Letras.
Passei no vestibular, mas resolvi prestar serviço militar (obrigatório). Já nos meus dezenove, a faculdade era um saco. Nas aulas, eu desenhava e escrevia. Virei professor em um curso particular (naquele onde eu estudara). Passei a escrever mais do que a desenhar e assim descobri a rima e poesia. Conheci novas possibilidades e resolvi que iria trabalhar em cruzeiros. Economizaria e abriria um pub, hostel, restaurante, estúdio com o dinheiro poupado.
Dois anos depois me formei em Letras, terminei o Espanhol, pedi as contas e comecei a trabalhar em um dos melhores hotéis do Rio (por sorte, destino ou concidência; o curso e o hotel tinham uma parceria). Corri atrás do que desejava; corri literalmente: Cinco, dez, dezesseis e vinte e um kilômetros até a chegada! Quando parei para respirar, já estava arrumando as malas para meu primeiro embarque. Fui amado, amo os que fizeram e fazem parte de tudo isso e sigo Navegante. Amo a vida.
Descobri o que era asma e nebulização. Entre crises e saudade, a vida melhorou. Mudei de casa e de escola, ganhei um Playstation. Conheci meu primeiro melhor amigo. Um ano depois, percebi que ele me fazia de otário; descobri o que era e resolvi virar bobo. Minha mãe me colocou no inglês, eu não queria e meu irmão me convenceu. Tinha talento com o inglês e decidi que queria ser professor. Resolvi fazer Letras.
Passei no vestibular, mas resolvi prestar serviço militar (obrigatório). Já nos meus dezenove, a faculdade era um saco. Nas aulas, eu desenhava e escrevia. Virei professor em um curso particular (naquele onde eu estudara). Passei a escrever mais do que a desenhar e assim descobri a rima e poesia. Conheci novas possibilidades e resolvi que iria trabalhar em cruzeiros. Economizaria e abriria um pub, hostel, restaurante, estúdio com o dinheiro poupado.
Dois anos depois me formei em Letras, terminei o Espanhol, pedi as contas e comecei a trabalhar em um dos melhores hotéis do Rio (por sorte, destino ou concidência; o curso e o hotel tinham uma parceria). Corri atrás do que desejava; corri literalmente: Cinco, dez, dezesseis e vinte e um kilômetros até a chegada! Quando parei para respirar, já estava arrumando as malas para meu primeiro embarque. Fui amado, amo os que fizeram e fazem parte de tudo isso e sigo Navegante. Amo a vida.
My Little Poney, Kilts & Frio
Tudo tem um sentido! Vai falar que não é? Bem, isso vai depender muito de sua capacidade sensorial; tem mudanças que marcam a gente, como se de uma hora para outra fossemos obrigados a deixar de ser quem somos; existem porém, mudanças que quando chegam, ainda que radicais, se quer nos damos conta de que estão ali, na pele, no corpo, no cotidiano e na ponta do dedão da alma.
É assim! Assim que me senti ao lidar com uma situação que chegou do meio do nada. Estava curtindo minhas férias de tripulante, quando me ligaram e ofereceram a vaga repentina; descobri que alguem desistira de continuar a bordo dias antes. Veio a primeira mudança, desliga o relaxado e passa para o nível frenético de existência! Mas então, passou um minuto, duas horas, uma noite, dois dias e notei algo: Além dos novos portos e expectativas, notei que mais uma vez, tudo o que desejava aconteceu, e tudo porque em determinado momento eu mudei sem perceber.
Três semanas se passaram desde que cheguei. Inverness fica na Escócia, é cidade central para todos que querem ir a Loch Ness “O Monstro do Lago Ness”. Passamos também por Dublin, lar da Guiness; Liverpool, cidade dos Beatles; Belfast, a dos incidentes alguns meses atrás; Lerwick, Escócia, palco do maior festival de bandas militares do mundo e agora estamos no meio de um cruzeiro a caminho de Nova York.
Passamos também por Bergen (um dos três mais altos fiordes da Europa pode ser visitado de lá); Lerwick, Shetland Islands (parte da Escócia) e agora estamos em Tornshavn, Faore Islands, Dinamarca.
Entre homens de saia (kilt), castelos, mini-pôneis e frio eu tenho preferido ficar a bordo, portanto não esperem ver fotos dessas ilhas visitadas até então. No entanto estou animado para a chegada à Islândia, aí sim, empurro o pedal da bicicleta pra frente e farei questão de tirar montes de fotos em Reykjavic e Akureyry.
Esse texto foi escrito em 25/08/11.
É assim! Assim que me senti ao lidar com uma situação que chegou do meio do nada. Estava curtindo minhas férias de tripulante, quando me ligaram e ofereceram a vaga repentina; descobri que alguem desistira de continuar a bordo dias antes. Veio a primeira mudança, desliga o relaxado e passa para o nível frenético de existência! Mas então, passou um minuto, duas horas, uma noite, dois dias e notei algo: Além dos novos portos e expectativas, notei que mais uma vez, tudo o que desejava aconteceu, e tudo porque em determinado momento eu mudei sem perceber.
Três semanas se passaram desde que cheguei. Inverness fica na Escócia, é cidade central para todos que querem ir a Loch Ness “O Monstro do Lago Ness”. Passamos também por Dublin, lar da Guiness; Liverpool, cidade dos Beatles; Belfast, a dos incidentes alguns meses atrás; Lerwick, Escócia, palco do maior festival de bandas militares do mundo e agora estamos no meio de um cruzeiro a caminho de Nova York.
Passamos também por Bergen (um dos três mais altos fiordes da Europa pode ser visitado de lá); Lerwick, Shetland Islands (parte da Escócia) e agora estamos em Tornshavn, Faore Islands, Dinamarca.
Entre homens de saia (kilt), castelos, mini-pôneis e frio eu tenho preferido ficar a bordo, portanto não esperem ver fotos dessas ilhas visitadas até então. No entanto estou animado para a chegada à Islândia, aí sim, empurro o pedal da bicicleta pra frente e farei questão de tirar montes de fotos em Reykjavic e Akureyry.
Esse texto foi escrito em 25/08/11.
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