Nasci. Brinquei. Nunca fui de jogar bola, mas joguei videogame. Queria um Playstation, não tinha, então desenhava e jogava Nintendo. Sofria bullying na escola, ia para casa, matava no lápis os monstros que me assustavam. Além de Deus, pais e irmão, aprendi a ser meu melhor amigo. Um noite meu pai me beijou e saiu para seu último copo; não chorei e fui brincar.
Descobri o que era asma e nebulização. Entre crises e saudade, a vida melhorou. Mudei de casa e de escola, ganhei um Playstation. Conheci meu primeiro melhor amigo. Um ano depois, percebi que ele me fazia de otário; descobri o que era e resolvi virar bobo. Minha mãe me colocou no inglês, eu não queria e meu irmão me convenceu. Tinha talento com o inglês e decidi que queria ser professor. Resolvi fazer Letras.
Passei no vestibular, mas resolvi prestar serviço militar (obrigatório). Já nos meus dezenove, a faculdade era um saco. Nas aulas, eu desenhava e escrevia. Virei professor em um curso particular (naquele onde eu estudara). Passei a escrever mais do que a desenhar e assim descobri a rima e poesia. Conheci novas possibilidades e resolvi que iria trabalhar em cruzeiros. Economizaria e abriria um pub, hostel, restaurante, estúdio com o dinheiro poupado.
Dois anos depois me formei em Letras, terminei o Espanhol, pedi as contas e comecei a trabalhar em um dos melhores hotéis do Rio (por sorte, destino ou concidência; o curso e o hotel tinham uma parceria). Corri atrás do que desejava; corri literalmente: Cinco, dez, dezesseis e vinte e um kilômetros até a chegada! Quando parei para respirar, já estava arrumando as malas para meu primeiro embarque. Fui amado, amo os que fizeram e fazem parte de tudo isso e sigo Navegante. Amo a vida.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
My Little Poney, Kilts & Frio
Tudo tem um sentido! Vai falar que não é? Bem, isso vai depender muito de sua capacidade sensorial; tem mudanças que marcam a gente, como se de uma hora para outra fossemos obrigados a deixar de ser quem somos; existem porém, mudanças que quando chegam, ainda que radicais, se quer nos damos conta de que estão ali, na pele, no corpo, no cotidiano e na ponta do dedão da alma.
É assim! Assim que me senti ao lidar com uma situação que chegou do meio do nada. Estava curtindo minhas férias de tripulante, quando me ligaram e ofereceram a vaga repentina; descobri que alguem desistira de continuar a bordo dias antes. Veio a primeira mudança, desliga o relaxado e passa para o nível frenético de existência! Mas então, passou um minuto, duas horas, uma noite, dois dias e notei algo: Além dos novos portos e expectativas, notei que mais uma vez, tudo o que desejava aconteceu, e tudo porque em determinado momento eu mudei sem perceber.
Três semanas se passaram desde que cheguei. Inverness fica na Escócia, é cidade central para todos que querem ir a Loch Ness “O Monstro do Lago Ness”. Passamos também por Dublin, lar da Guiness; Liverpool, cidade dos Beatles; Belfast, a dos incidentes alguns meses atrás; Lerwick, Escócia, palco do maior festival de bandas militares do mundo e agora estamos no meio de um cruzeiro a caminho de Nova York.
Passamos também por Bergen (um dos três mais altos fiordes da Europa pode ser visitado de lá); Lerwick, Shetland Islands (parte da Escócia) e agora estamos em Tornshavn, Faore Islands, Dinamarca.
Entre homens de saia (kilt), castelos, mini-pôneis e frio eu tenho preferido ficar a bordo, portanto não esperem ver fotos dessas ilhas visitadas até então. No entanto estou animado para a chegada à Islândia, aí sim, empurro o pedal da bicicleta pra frente e farei questão de tirar montes de fotos em Reykjavic e Akureyry.
Esse texto foi escrito em 25/08/11.
É assim! Assim que me senti ao lidar com uma situação que chegou do meio do nada. Estava curtindo minhas férias de tripulante, quando me ligaram e ofereceram a vaga repentina; descobri que alguem desistira de continuar a bordo dias antes. Veio a primeira mudança, desliga o relaxado e passa para o nível frenético de existência! Mas então, passou um minuto, duas horas, uma noite, dois dias e notei algo: Além dos novos portos e expectativas, notei que mais uma vez, tudo o que desejava aconteceu, e tudo porque em determinado momento eu mudei sem perceber.
Três semanas se passaram desde que cheguei. Inverness fica na Escócia, é cidade central para todos que querem ir a Loch Ness “O Monstro do Lago Ness”. Passamos também por Dublin, lar da Guiness; Liverpool, cidade dos Beatles; Belfast, a dos incidentes alguns meses atrás; Lerwick, Escócia, palco do maior festival de bandas militares do mundo e agora estamos no meio de um cruzeiro a caminho de Nova York.
Passamos também por Bergen (um dos três mais altos fiordes da Europa pode ser visitado de lá); Lerwick, Shetland Islands (parte da Escócia) e agora estamos em Tornshavn, Faore Islands, Dinamarca.
Entre homens de saia (kilt), castelos, mini-pôneis e frio eu tenho preferido ficar a bordo, portanto não esperem ver fotos dessas ilhas visitadas até então. No entanto estou animado para a chegada à Islândia, aí sim, empurro o pedal da bicicleta pra frente e farei questão de tirar montes de fotos em Reykjavic e Akureyry.
Esse texto foi escrito em 25/08/11.
Segundo Contrato: Vamos?!
Uma terça-feira de volta ao Rio, o ar condicionado ligado enquanto eu, lá dentro da academia no Leme, terminava de levantar mais alguns pesinhos. Do fone de ouvido brotava alguns versos da Firma, um dos grupos de rap que tive a oportunidade de conhecer durante essas férias. Tudo certo e perfeito e lá estava Paulo, o que o namorado de minha mãe fazia ali?
Paulo me disse que alguém ligara para mim de uma agência de viagens, saí de lá no mesmo instante, receoso, pois poderia ser sobre a Princess, alguém com notícias sobre meu próximo contrato.
Cheguei ao apartamento, peguei o celular amarelo e liguei, ouvi o que esperava com um frio no estômago. Resumindo: Hora de embarcar, precisamos de você para ontem, a resposta tem que ser hoje!
Tudo girou como se tivessem me jogado com roupa e tudo dentro de uma Brastemp; vi a meia maratona que planejei fazer, os vocais femininos que Helena gravaria em uma das músicas novas, um evento de despedida em setembro, os dias de praia com minha mãe recuperada de uma cirurgia, o livro que quero terminar de ler, cálidas tardes estudando francês, beijos e abraços, punhados de risos e suspiros, esperança no “será que ela vem no final de agosto”.
Não tive tempo de pensar muito, não quis, sabia minha resposta desde o início: Eu vou, estarei lá dia 13 de agosto como está me pedindo! Pode me chamar de Navegante, faço parte de um grupo grande espalhado por aí!
Esse texto foi escrito em 09/08/11, data em que realmente me preparava para embarcar.
Paulo me disse que alguém ligara para mim de uma agência de viagens, saí de lá no mesmo instante, receoso, pois poderia ser sobre a Princess, alguém com notícias sobre meu próximo contrato.
Cheguei ao apartamento, peguei o celular amarelo e liguei, ouvi o que esperava com um frio no estômago. Resumindo: Hora de embarcar, precisamos de você para ontem, a resposta tem que ser hoje!
Tudo girou como se tivessem me jogado com roupa e tudo dentro de uma Brastemp; vi a meia maratona que planejei fazer, os vocais femininos que Helena gravaria em uma das músicas novas, um evento de despedida em setembro, os dias de praia com minha mãe recuperada de uma cirurgia, o livro que quero terminar de ler, cálidas tardes estudando francês, beijos e abraços, punhados de risos e suspiros, esperança no “será que ela vem no final de agosto”.
Não tive tempo de pensar muito, não quis, sabia minha resposta desde o início: Eu vou, estarei lá dia 13 de agosto como está me pedindo! Pode me chamar de Navegante, faço parte de um grupo grande espalhado por aí!
Esse texto foi escrito em 09/08/11, data em que realmente me preparava para embarcar.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Minha Despedida do Crown Princess
Esse texto é dedicado ao fechamento de meu primeiro contrato a bordo. Para você que veio acompanhando os casos de navegante, espero que se divirta, para quem não me conhece e hoje me visita por acaso, leiam as entrelinhas, está tudo aqui.
Está aqui essa sensação de que o final foi tão rápido que ainda se quer me toquei que já cheguei ao fim. Se não fosse pela aparência do Heathrow aqui em Londres, pelo gosto de Guiness que tenho na boca e pelas pessoas que estão a minha volta, diria que voltei à criação do primeiro relato desse blog; até o pai brincando com a filha me faz lembrar aquele dia.
Vou voltar de braços abertos para aqueles que não desistiram de mim, vou dar um beijo naqueles que acreditaram e se não tiver ninguém além da mãe e irmão, vou beijar o solo da cidade que ficou distante ainda que só por alguns meses.
A volta para casa é algo que é planejado com bastante antecedência, no meu caso eu até que pedi para estenderem meu contrato, mas não deu certo dessa vez; o jeito foi ligar para CSA e avisar: - Mãe chego daqui a alguns dias.
Um detalhe importante é sempre arrumar tudo para a partida com o mesmo zelo que se teve antes do início de seu contrato, ou seja: - Tudo na última hora! Parecia até que estava ouvindo a Cris falando: - Nilo, você arrumou a mala? Arrumei, arrumei tudo ontem. Antes de dormir, mas depois de comer, tomar banho, falar com os amigos, olhar para o mar e chegar a conclusão “shis”! “Shis” de “shit, estou cansado demais, arrumo amanhã”.
Hoje, antes de vir para o aeroporto, continuei a maratona: Vai para o escritório, entrega as chaves, entrega o dinheiro por qual foi responsável, passa tudo o que sabe rapidamente para o novo contratado, fecha a mala, abre a mala, volta na recepção, se despede, volta e se despede da paquita novamente, ri, sente vontade de chorar, se conforma, a vida é assim e parte para abraçar o trajeto de volta ao rio.
Entrei no ônibus que partiria em alguns momentos para Heathrow, passei por alguns amigos que também estavam indo de volta para casa e de repente um susto!
Não conseguia achar a quantia em dólares que juntei durante todo o bem aventurado contrato! Me concentrei, já estava atrasado, não queria atrapalhar ninguém, mas por fim vi que o melhor era abrir a boca para o motorista: - Para aí motorista, esqueci o “cash” todo! Pulei para fora do transporte, corri até o oficial responsável e o mesmo me explicou que a solução era pegar um táxi por conta própria mais tarde, o ônibus precisava partir naquele momento; aceitei a idéia e felizmente quando fechava minha mochila lembrei onde colocara a quantia, já de dentro do ônibus me sentei novamente, já calmo, e me despedi do Crown.
Termino assim, agora é hora de aproveitar as férias. Nada de conclusões mega elaboradas! Quer saber mais? Embarca! Ou espera até eu começar meu próximo contrato.
Fiquem com Deus.
Está aqui essa sensação de que o final foi tão rápido que ainda se quer me toquei que já cheguei ao fim. Se não fosse pela aparência do Heathrow aqui em Londres, pelo gosto de Guiness que tenho na boca e pelas pessoas que estão a minha volta, diria que voltei à criação do primeiro relato desse blog; até o pai brincando com a filha me faz lembrar aquele dia.
Vou voltar de braços abertos para aqueles que não desistiram de mim, vou dar um beijo naqueles que acreditaram e se não tiver ninguém além da mãe e irmão, vou beijar o solo da cidade que ficou distante ainda que só por alguns meses.
A volta para casa é algo que é planejado com bastante antecedência, no meu caso eu até que pedi para estenderem meu contrato, mas não deu certo dessa vez; o jeito foi ligar para CSA e avisar: - Mãe chego daqui a alguns dias.
Um detalhe importante é sempre arrumar tudo para a partida com o mesmo zelo que se teve antes do início de seu contrato, ou seja: - Tudo na última hora! Parecia até que estava ouvindo a Cris falando: - Nilo, você arrumou a mala? Arrumei, arrumei tudo ontem. Antes de dormir, mas depois de comer, tomar banho, falar com os amigos, olhar para o mar e chegar a conclusão “shis”! “Shis” de “shit, estou cansado demais, arrumo amanhã”.
Hoje, antes de vir para o aeroporto, continuei a maratona: Vai para o escritório, entrega as chaves, entrega o dinheiro por qual foi responsável, passa tudo o que sabe rapidamente para o novo contratado, fecha a mala, abre a mala, volta na recepção, se despede, volta e se despede da paquita novamente, ri, sente vontade de chorar, se conforma, a vida é assim e parte para abraçar o trajeto de volta ao rio.
Entrei no ônibus que partiria em alguns momentos para Heathrow, passei por alguns amigos que também estavam indo de volta para casa e de repente um susto!
Não conseguia achar a quantia em dólares que juntei durante todo o bem aventurado contrato! Me concentrei, já estava atrasado, não queria atrapalhar ninguém, mas por fim vi que o melhor era abrir a boca para o motorista: - Para aí motorista, esqueci o “cash” todo! Pulei para fora do transporte, corri até o oficial responsável e o mesmo me explicou que a solução era pegar um táxi por conta própria mais tarde, o ônibus precisava partir naquele momento; aceitei a idéia e felizmente quando fechava minha mochila lembrei onde colocara a quantia, já de dentro do ônibus me sentei novamente, já calmo, e me despedi do Crown.
Termino assim, agora é hora de aproveitar as férias. Nada de conclusões mega elaboradas! Quer saber mais? Embarca! Ou espera até eu começar meu próximo contrato.
Fiquem com Deus.
Adaptadores, Momentos & Saudade
Olha lá, você lendo e eu aqui deitando nessas linhazinhas de computador um mundo de informação que passa pela minha cabeça. Pode chamar o Nilo, conta ainda com aquele Nilo que você conheceu um dia; aquele que sempre tentei promover através de músicas, desenhos, cores e fotos, mas é que hoje resolvi me aconchegar aqui nesse amontoado de palavras; me concentrar no que estou sentindo e fica quieto num canto de parágrafo, para depois me jogar para outro suavemente.
Tudo isso só para falar que depois de alguns meses chega a hora de assumir que há um dia chuvoso brotando dentro da minha mente; vejo as idéias reunidas em um corpo sentado em um banco, esperando o ônibus que vai me levar para a cama depois de um dia intenso.
Já não me refiro à América que ficou lá atrás, à areia branca de Caimã, aos altos e baixos do contorno de Roatã, aos carros velozes passeando por Miami ou à água gostosa do mar caribenho; nem mesmo me sinto assim porque já consigo sentir saudade de tudo isso que estou vendo em um novo continente, confesso que vou seguir um pouco além disso.
Tem um texto da Clarice, é! Da Clarice Lispector, que diz que tudo é efêmero, é verdade! Meu desafio é colocar o coração para seguir a ordem dos fatos; pois se às vezes passamos por momentos difíceis, tem momentos que a realidade e tão farta em açúcar que é difícil parar para escovar os dentes.
Me adapto e sempre vou me adaptar, o problema é quando falamos de pessoas: Três dias para partir, para deixar o Crown, para me despedir daqueles que ainda que eu saiba que vou acabar por me esquecer, não me esquecerei jamais. Olho em volta, vejo a fila de passageiros na minha frente, olho os amigos ao me lado e ainda que melancólico, eu sou convidado a aceitar que eu também sou passageiro aqui.
Tudo isso só para falar que depois de alguns meses chega a hora de assumir que há um dia chuvoso brotando dentro da minha mente; vejo as idéias reunidas em um corpo sentado em um banco, esperando o ônibus que vai me levar para a cama depois de um dia intenso.
Já não me refiro à América que ficou lá atrás, à areia branca de Caimã, aos altos e baixos do contorno de Roatã, aos carros velozes passeando por Miami ou à água gostosa do mar caribenho; nem mesmo me sinto assim porque já consigo sentir saudade de tudo isso que estou vendo em um novo continente, confesso que vou seguir um pouco além disso.
Tem um texto da Clarice, é! Da Clarice Lispector, que diz que tudo é efêmero, é verdade! Meu desafio é colocar o coração para seguir a ordem dos fatos; pois se às vezes passamos por momentos difíceis, tem momentos que a realidade e tão farta em açúcar que é difícil parar para escovar os dentes.
Me adapto e sempre vou me adaptar, o problema é quando falamos de pessoas: Três dias para partir, para deixar o Crown, para me despedir daqueles que ainda que eu saiba que vou acabar por me esquecer, não me esquecerei jamais. Olho em volta, vejo a fila de passageiros na minha frente, olho os amigos ao me lado e ainda que melancólico, eu sou convidado a aceitar que eu também sou passageiro aqui.
sábado, 11 de junho de 2011
O Monstro do Lago Ness
Dez horas e lá vou eu correndo ao Crew Office buscar as chaves da bicicleta número doze. O Branko vai comigo dessa vez, o sérvio até que pareceu bem disposto quando eu disse que o destino ficava a algumas milhas de distância.
O Branko é um dos amigos que vou lembrar depois que deixar esse navio, é o gerente do serviço de internet a bordo e dá maior força pra minhas metas de longo alcance.
Passei pelo meu quarto, troquei de roupa, lutei para achar algo que fosse suficientemente confortável e por fim depois de muito discutir com o meu ego insano, acabei por sair de casaco... Mas, de bermuda.
Invergordon, Escócia, nove graus Celsius, e lá vamos nós. O Branko riu quando me viu carregando três garrafas d’água na mochilona da Oakley. Invergordon, Escócia: QUARENTA E CINCO MILHAS DE INVERNESS!
Por essa eu não esperava, o destino desejado ficava além do meu tempo livre naquele dia frio. A saída era dar meia-volta, guardar a bike, sentar em um pub, comprar um kilt e rir da aventura furada, mas... Sou péssimo em aceitar as saídas e acabei por enxergar uma entrada; Branko concordou comigo: - Estamos aqui, então... Bora pedalar!
Foram três horas pedalando forte, tão forte ao ponto de voltar totalmente desconcertado em comparação com os turistas a minha volta. Já não tinha casaco e nada de meias de frio. O terreno aberto, pleno em cores verdes e as casinhas no alto dos morros, dignas dos mais belos cenários medievais me fizeram esquecer a baixa temperatura. Cada terreno aberto, cada pequeno lago só me aumentava a curiosidade, as placas passavam, as milhas correram e quando vimos... Era hora de voltar.
Lição número tal para futuros navegantes: O intervalo entre seus dois períodos de trabalho pode ser grande, mas nem sempre grande o suficiente para visitar as maiores maravilhas de determinados portos. Nesse caso não chegamos exatamente onde tentamos: O Lago Ness, o Loch Ness, o Lago do Filme, Aquele do Monstro...
Já acomodados em um pub, pertinho do navio, cerveja local na mão e câmera na outra, o Branko analisa as fotos, larga o copo gigantesco na mesa, pega umas batatas fritas, come, olha de novo para as fotos, olha pra mim, olha para o visor da máquina novamente e questiona: Vem cá? Afinal, se não fomos ao Ness, que lago é esse?! O que é que eu vou falar lá em casa?!
Conclusão: Fui ao Loch Ness e foi maravilhoso! Não acredita?! Dá uma passadinha na Escócia e confirma.
O Branko é um dos amigos que vou lembrar depois que deixar esse navio, é o gerente do serviço de internet a bordo e dá maior força pra minhas metas de longo alcance.
Passei pelo meu quarto, troquei de roupa, lutei para achar algo que fosse suficientemente confortável e por fim depois de muito discutir com o meu ego insano, acabei por sair de casaco... Mas, de bermuda.
Invergordon, Escócia, nove graus Celsius, e lá vamos nós. O Branko riu quando me viu carregando três garrafas d’água na mochilona da Oakley. Invergordon, Escócia: QUARENTA E CINCO MILHAS DE INVERNESS!
Por essa eu não esperava, o destino desejado ficava além do meu tempo livre naquele dia frio. A saída era dar meia-volta, guardar a bike, sentar em um pub, comprar um kilt e rir da aventura furada, mas... Sou péssimo em aceitar as saídas e acabei por enxergar uma entrada; Branko concordou comigo: - Estamos aqui, então... Bora pedalar!
Foram três horas pedalando forte, tão forte ao ponto de voltar totalmente desconcertado em comparação com os turistas a minha volta. Já não tinha casaco e nada de meias de frio. O terreno aberto, pleno em cores verdes e as casinhas no alto dos morros, dignas dos mais belos cenários medievais me fizeram esquecer a baixa temperatura. Cada terreno aberto, cada pequeno lago só me aumentava a curiosidade, as placas passavam, as milhas correram e quando vimos... Era hora de voltar.
Lição número tal para futuros navegantes: O intervalo entre seus dois períodos de trabalho pode ser grande, mas nem sempre grande o suficiente para visitar as maiores maravilhas de determinados portos. Nesse caso não chegamos exatamente onde tentamos: O Lago Ness, o Loch Ness, o Lago do Filme, Aquele do Monstro...
Já acomodados em um pub, pertinho do navio, cerveja local na mão e câmera na outra, o Branko analisa as fotos, larga o copo gigantesco na mesa, pega umas batatas fritas, come, olha de novo para as fotos, olha pra mim, olha para o visor da máquina novamente e questiona: Vem cá? Afinal, se não fomos ao Ness, que lago é esse?! O que é que eu vou falar lá em casa?!
Conclusão: Fui ao Loch Ness e foi maravilhoso! Não acredita?! Dá uma passadinha na Escócia e confirma.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Do Outro lado do Oceano
Olá! Quanto tempo se passou desde que escrevi pela última vez! O tempo voa aqui dentro e é hora de voltar à atividade; creio que a primeira parte da minha história de primeiro contrato já se foi faz tempo, mas, ainda assim, de hoje em diante, quero guiar cada palavra de uma forma nova, nada de segunda parte! Digamos que comecei uma nova temporada.
Meu navio, o Crown, finalmente deu continuidade ao seu itinerário e agora eu vim parar na Europa. Foram sete dias de mar desde que partimos de Miami. Ao chegar a Europa fomos primeiro para Açores, onde tive oportunidade de conhecer Ponta Delgada.
Ponta Delgada é um dos portos mais conhecidos do Arquipélago de Açores, lá todos falam o português e a ilha é bem respeitada, pois é na verdade o cume da montanha mais alta do mundo (ainda que afogada em milhares de litros de água fria).
De lá partimos para Lisboa, a cidade é incrível, estranha sensação de estar caminhando em um misto de Lapa e Santa Tereza, cercado por igrejas, monumentos e arcos gigantescos. As pessoas são amigáveis e possui uma moda bem alternativa. E claro... Garrafas de vinho para todo lado, nem eu consegui escapar e acabei comprando algumas.
Rotterdam foi nossa próxima parada; a cidade que é uma das dez cidades mais caras do planeta fica a duas horas de distância de Amsterdam, lá os locais fazem questão de falar algo que soa como “se é por profissão fica em Rotterdam se é por curtição vai já pra Amsterdam”.
Como o tempo foi curto acabei ficando por Rotterdam, fui ao meu primeiro pub desde que cheguei a Europa e não poderia faltar cerveja local e bom rock para acompanhar cada gole.
O tempo continuou e quando vi, já tínhamos passado por vários portos que não posso esperar a hora de visitar novamente. A Europa se tornou diante dos meus olhos um mundo de castelos, lendas e pubs!
Cobh foi o porto usado na visita a Cork, uma das ilhas da Irlanda; Dublin é uma cidade mágica, tradicional e muito famosa, pois é de lá que vem a Guiness e hoje... Estamos em Liverpool!
Beatles, pubs, frio, decoração, museus, igrejas, construções modernas e ônibus de dois andares. Finalmente sinto o que é chegar ao Reino Unido, já que os dois últimos portos não fazem parte do mesmo.
O Gonzalo, meus segundo companheiro de quarto terminou mais um contrato; depois disso, eu dividi a cabine com o Nimbrod, um filipino que ficou aqui só por dois dias. Fiquei sozinho por uma semana e agora tenho um novo amigo, o Alex, o russo é genial e tem sempre uma história nova para compartilhar.
Mantenho meus passos a base de muita responsabilidade com minha alimentação e preparo físico, continuo lutando para dormir um número aceitável de horas de sono, e posso dizer que abri a cabeça para novos amigos, me sinto mais unido, me sinto mais parte do navio.
Meu navio, o Crown, finalmente deu continuidade ao seu itinerário e agora eu vim parar na Europa. Foram sete dias de mar desde que partimos de Miami. Ao chegar a Europa fomos primeiro para Açores, onde tive oportunidade de conhecer Ponta Delgada.
Ponta Delgada é um dos portos mais conhecidos do Arquipélago de Açores, lá todos falam o português e a ilha é bem respeitada, pois é na verdade o cume da montanha mais alta do mundo (ainda que afogada em milhares de litros de água fria).
De lá partimos para Lisboa, a cidade é incrível, estranha sensação de estar caminhando em um misto de Lapa e Santa Tereza, cercado por igrejas, monumentos e arcos gigantescos. As pessoas são amigáveis e possui uma moda bem alternativa. E claro... Garrafas de vinho para todo lado, nem eu consegui escapar e acabei comprando algumas.
Rotterdam foi nossa próxima parada; a cidade que é uma das dez cidades mais caras do planeta fica a duas horas de distância de Amsterdam, lá os locais fazem questão de falar algo que soa como “se é por profissão fica em Rotterdam se é por curtição vai já pra Amsterdam”.
Como o tempo foi curto acabei ficando por Rotterdam, fui ao meu primeiro pub desde que cheguei a Europa e não poderia faltar cerveja local e bom rock para acompanhar cada gole.
O tempo continuou e quando vi, já tínhamos passado por vários portos que não posso esperar a hora de visitar novamente. A Europa se tornou diante dos meus olhos um mundo de castelos, lendas e pubs!
Cobh foi o porto usado na visita a Cork, uma das ilhas da Irlanda; Dublin é uma cidade mágica, tradicional e muito famosa, pois é de lá que vem a Guiness e hoje... Estamos em Liverpool!
Beatles, pubs, frio, decoração, museus, igrejas, construções modernas e ônibus de dois andares. Finalmente sinto o que é chegar ao Reino Unido, já que os dois últimos portos não fazem parte do mesmo.
O Gonzalo, meus segundo companheiro de quarto terminou mais um contrato; depois disso, eu dividi a cabine com o Nimbrod, um filipino que ficou aqui só por dois dias. Fiquei sozinho por uma semana e agora tenho um novo amigo, o Alex, o russo é genial e tem sempre uma história nova para compartilhar.
Mantenho meus passos a base de muita responsabilidade com minha alimentação e preparo físico, continuo lutando para dormir um número aceitável de horas de sono, e posso dizer que abri a cabeça para novos amigos, me sinto mais unido, me sinto mais parte do navio.
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