E assim continuo. Começo com essa frase esculpida em toneladas de energia e bom humor. Viver num barco! Olho lá para fora e vejo que como o mar, todo o cenário muda a cada dia.
A vida a bordo, sem dúvida, é bem diferente do que imaginamos quando estamos do lado de fora. Sei que é real, pois estou passando por ela, mais ainda que proporcione alguma dificuldade, é recompensadora. Aqui eu não me preocupo com trânsito parado, com poluição sonora, com desigualdade social, contas a pagar (exceto a do bar), com a comida que não preparei do jeito que eu imaginara e assim por diante.
Existem os desafios, cito os mais comuns que percebi entre meus companheiros navegantes: sentir-se preso, tédio, estresse, desprezo pelo simples e solidão. Felizmente de todos os principais sintomas me identifiquei apenas com o estresse; os outros me passaram despercebidos, talvez pelo fato de ser meu primeiro contrato, somado com minha facilidade de ver o lado bom das coisas a ainda com a satisfação de abraçar tudo o que Deus me proporciona.
Meu maior dilema é a tal da “alienação”. Acho que a essa altura, já devo ter o mesmo número de citações para ela e “navio”. É que certas coisas me incomodam.
Quando em terra, assistimos a maioria dos desastres e conflitos do mundo através dos canais de mídia. A mensagem pode ser alterada, deturpada, estraçalhada por completa, mais ainda assim trás algum ponto de verdade que poderá ser confirmado se compararmos uma com outra qualquer.
Já aqui dentro, nem isso acontece. Acordamos e ao menos que seja de nosso interesse, vivemos isentos dos afazeres terrestres alheios, e coloco terrestre nisso! Dois dias desde o desastre no Japão e ainda tem muita gente passando só pelo “ouvi falar”. Eu mesmo, algumas semanas atrás, demorei dois dias, até saber por um hóspede, que Teresópolis estava deslizando com tudo em cima.
Aí me pergunto? A falha é nossa, de não nos interessarmos pelos acontecimentos a nossa volta, ou foi a tal da globalização que nos uniu demais e já não nos dá mais tempo de nos conhecermos e estudarmos nosso planeta antes de destruir-lo?
Informado ou não, voltando para minha vida a bordo; não muito preocupado com uma resposta clara para minha questão (não muda nada para mim se quem veio primeiro foi o ovo ou a galinha para achar que comer o ovo é menos cruel) só sei que, me encontro realizado quando penso em trabalho, mas darei sempre o mesmo conselho para os que me perguntarem:
“Pergunte. Questione. Não quer incomodar os outros, eu entendo... Questione a si mesmo. Não tenha todas as respostas, mas busque uma.”
quarta-feira, 16 de março de 2011
Trocando o Dia pela Noite
Toca o despertador, acorda o boneco assustado. Sem jeito, pula da cama para o chão como se tivesse ouvido o “Abandonar Navio”. Ele se arruma, faz a barba, quase não tem. Escova os dentes, veste a farda de todos os dias e sai pronto para desejar um bom dia energético para o primeiro que lhe aparecer. ERRADO! Agora deve dar boa noite, mas vai tomar tempo para se acostumar.
Esse sou eu aqui e agora. Agora que leio já não sou mais o mesmo. Agora que você lê já não sou mais o mesmo. Eu fui eu e agora já sou outro que já não sou mais. Isso é mais ou menos o que passa pela minha cabeça quando paro para pensar que já se foram dois meses desde que entrei para o barco.
Mudo a cada dia e cada dia muda minha rotina de uma maneira que não tenho como não agradecer por tudo o que estou passando. Agora estou trabalhando a noite. Trabalho de onze até oito da manhã. Sou eu e eu na Recepção e agora quando eu faço algo errado, corro logo para supervisão para culpar a mim mesmo, assim eu evito problemas. Trabalhar comigo é legal, mas tem hora que perco a paciência comigo mesmo.
Em suma (tipo clichê de dissertação), estou fazendo o night shift, pois dessa forma aprendo mais sobre os detalhes financeiros e sistemas do navio; consigo programar meu dia para excursões e adquiro uma experiência que poucos têm (poucos querem trabalhar a noite).
Esse sou eu aqui e agora. Agora que leio já não sou mais o mesmo. Agora que você lê já não sou mais o mesmo. Eu fui eu e agora já sou outro que já não sou mais. Isso é mais ou menos o que passa pela minha cabeça quando paro para pensar que já se foram dois meses desde que entrei para o barco.
Mudo a cada dia e cada dia muda minha rotina de uma maneira que não tenho como não agradecer por tudo o que estou passando. Agora estou trabalhando a noite. Trabalho de onze até oito da manhã. Sou eu e eu na Recepção e agora quando eu faço algo errado, corro logo para supervisão para culpar a mim mesmo, assim eu evito problemas. Trabalhar comigo é legal, mas tem hora que perco a paciência comigo mesmo.
Em suma (tipo clichê de dissertação), estou fazendo o night shift, pois dessa forma aprendo mais sobre os detalhes financeiros e sistemas do navio; consigo programar meu dia para excursões e adquiro uma experiência que poucos têm (poucos querem trabalhar a noite).
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Correndo com Valentim pelas Ruas de Miami
Acabei de voltar do crew drill (treinamento de segurança apenas para os tripulantes que ocorre uma vez por semana), eu sou um dos door checkers da minha área de concentração; fico responsável por contar quantos passam pela saída de emergência a caminho dos botes salva-vidas (aqui se chamam tenders).
Ontem comemoramos o Valentines Day (Dia de São Valentino ou Dia dos Namorados), achei curiosa a preocupação das pessoas por aqui com a data, tudo muito decorado e colorido, tipo Natal, mas nada de achar alguém para me explicar quem foi o famoso Valentim. Resolvi buscar na internet e confirmei algo que já tinha lido por aí. São Valentim é um santo que representa mais de uma pessoa em diferentes momentos da história; ambos eram ligados a igreja, ambos foram heróis, ambos morreram para então serem canonizados.
Tirando o momento alienação “Comemoremos e Deixemos a Razão de Lado”, foi uma noite e tanto. Os Pursers ficaram responsáveis pela decoração, eu responsável pelas compras dias antes.
Continuo sendo um zero a esquerda para o álcool, sendo assim, fica mais fácil começar cedo. No pé um par de tênis laranja, no fone levo umas músicas das bandas preferidas, uma garrafa d’água para dar aquele toque e vamos já para o asfalto. Correr, admirar os carros passeando pelas ruas de Miami, sentir a brisa fresca dessa cidade, analisar os rostos que cruzam nosso caminho enquanto agradecemos por mais um dia de luta.
Ontem comemoramos o Valentines Day (Dia de São Valentino ou Dia dos Namorados), achei curiosa a preocupação das pessoas por aqui com a data, tudo muito decorado e colorido, tipo Natal, mas nada de achar alguém para me explicar quem foi o famoso Valentim. Resolvi buscar na internet e confirmei algo que já tinha lido por aí. São Valentim é um santo que representa mais de uma pessoa em diferentes momentos da história; ambos eram ligados a igreja, ambos foram heróis, ambos morreram para então serem canonizados.
Tirando o momento alienação “Comemoremos e Deixemos a Razão de Lado”, foi uma noite e tanto. Os Pursers ficaram responsáveis pela decoração, eu responsável pelas compras dias antes.
Continuo sendo um zero a esquerda para o álcool, sendo assim, fica mais fácil começar cedo. No pé um par de tênis laranja, no fone levo umas músicas das bandas preferidas, uma garrafa d’água para dar aquele toque e vamos já para o asfalto. Correr, admirar os carros passeando pelas ruas de Miami, sentir a brisa fresca dessa cidade, analisar os rostos que cruzam nosso caminho enquanto agradecemos por mais um dia de luta.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Roatan: Sobre as Penas, o Vento e as Pedaladas
27/01/11
O corpo reclama. Mal sinto minhas pernas. A boca ainda está seca, recorda o vento abafado que soprava no rosto há alguns minutos atrás. A endorfina ainda toma conta do sistema nervoso. A canela tem algum sangue seco. No embaçado causado por olhar lugar nenhum, acabo de lembrar que a caminho de minha cabine, cruzei com uns cinco que me cumprimentaram... Perguntaram-me se eu tinha ido lá fora... Fui! Até mais longe do que o simples afora, eu fui aonde o turista não arrisca e o corpo não insiste. Foi bom... Estou começando a entender as curvas dessa menina... Roatan, eu volto semana que vem!
De todos os portos que visitei, Roatan é a primeira ilha que tenho certeza de que me lembrarei por longos anos. O físico e o espiritual se confundem em um simples passeio de bicicleta. Não precisa de música, o vento está soprando as notas graves, as árvores fazem a percussão e os pássaros seguem com a cantoria: Vai Nilo, Vai Nilo!
O pedal acelera, nem parece que foi você, é tipo música eletrônica batendo nos tímpanos só que ninguém se cansa da repetição sonora, é viciante. Acelera mais um pouco, pisa, descansa, lá vem subida, depois descida, depois subida... Repete, dança com a magrela nesse chão de Honduras. Fica até perto se esquecer o que é longe: Roatan fica logo ali!
A vegetação é bem parecida com a do serrado do Rio... Enquanto imagina, coloque uma água descendo da sua testa ao invés de se lembrar daquele cheiro de ar condicionado e do estofado cinza do seu carro.
Dois caminhos: Você vai pelo asfalto? Não, pega o de terra. Está de bicicleta, o máximo que pode acontecer é não ter saída. Vai? Acelera descida abaixo! Maravilhoooo... Pa! Tum! Pei! Shiiiii! Pariu! Caio e depois me assusto! Bicicleta para um lado. Me levanto. Corro. Corro para o outro. Olho para mim. Olho para as árvores. Me assusto. Entendo. Outro! Eu pareço o homem-lama. Sempre fui medroso por natureza. Treme perna, treme corpo. O que foi que eu disse?!
No meio daquele amontoado de palavras, miro a copa das árvores, as folhas balançam, o barulho é suficiente para achar que os galhos estão todos caindo, a mente desembaralha e começo a contar as negras formas que, também assustadas, aos poucos se reposicionavam. Longas penas e asas gigantescas. Detalhes primitivos. Nunca os imaginara assim, que soltos e entre si, pareceriam tão respeitosos. Acabara de descobrir um refúgio de urubus.
O corpo reclama. Mal sinto minhas pernas. A boca ainda está seca, recorda o vento abafado que soprava no rosto há alguns minutos atrás. A endorfina ainda toma conta do sistema nervoso. A canela tem algum sangue seco. No embaçado causado por olhar lugar nenhum, acabo de lembrar que a caminho de minha cabine, cruzei com uns cinco que me cumprimentaram... Perguntaram-me se eu tinha ido lá fora... Fui! Até mais longe do que o simples afora, eu fui aonde o turista não arrisca e o corpo não insiste. Foi bom... Estou começando a entender as curvas dessa menina... Roatan, eu volto semana que vem!
De todos os portos que visitei, Roatan é a primeira ilha que tenho certeza de que me lembrarei por longos anos. O físico e o espiritual se confundem em um simples passeio de bicicleta. Não precisa de música, o vento está soprando as notas graves, as árvores fazem a percussão e os pássaros seguem com a cantoria: Vai Nilo, Vai Nilo!
O pedal acelera, nem parece que foi você, é tipo música eletrônica batendo nos tímpanos só que ninguém se cansa da repetição sonora, é viciante. Acelera mais um pouco, pisa, descansa, lá vem subida, depois descida, depois subida... Repete, dança com a magrela nesse chão de Honduras. Fica até perto se esquecer o que é longe: Roatan fica logo ali!
A vegetação é bem parecida com a do serrado do Rio... Enquanto imagina, coloque uma água descendo da sua testa ao invés de se lembrar daquele cheiro de ar condicionado e do estofado cinza do seu carro.
Dois caminhos: Você vai pelo asfalto? Não, pega o de terra. Está de bicicleta, o máximo que pode acontecer é não ter saída. Vai? Acelera descida abaixo! Maravilhoooo... Pa! Tum! Pei! Shiiiii! Pariu! Caio e depois me assusto! Bicicleta para um lado. Me levanto. Corro. Corro para o outro. Olho para mim. Olho para as árvores. Me assusto. Entendo. Outro! Eu pareço o homem-lama. Sempre fui medroso por natureza. Treme perna, treme corpo. O que foi que eu disse?!
No meio daquele amontoado de palavras, miro a copa das árvores, as folhas balançam, o barulho é suficiente para achar que os galhos estão todos caindo, a mente desembaralha e começo a contar as negras formas que, também assustadas, aos poucos se reposicionavam. Longas penas e asas gigantescas. Detalhes primitivos. Nunca os imaginara assim, que soltos e entre si, pareceriam tão respeitosos. Acabara de descobrir um refúgio de urubus.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Pursers, Trajeto e Tripulantes
Agora já tenho um caixa, a responsabilidade aumentou. Trabalho como Junior Assistant Purser, o nome é bonito quando está em outro idioma. Os Pursers cuidam de tudo relacionado a hotelaria dentro do cruzeiro, existem vários níveis de Pursers e eu só estou começando.
Para os que trabalham com alimentos e bebidas, a vida é mais complicada. Enquanto eu e meus amigos trabalhamos uma média de nove horas por dia, os garçons, ajudantes e auxiliares de restaurante parecem trabalhar umas doze horas no mínimo. Vários são aqueles que já estão indo para o quarto ou quinto contrato, mas até agora não conheci um que tenha me dito: Adoro meu trabalho!
Os que trabalham no cassino, lojas, fotografia e entretenimento possuem mais chances de sair e conhecer todos os portos em que paramos (cassinos e lojas não abrem quando o navio está atracado; entretenimento sem gente no navio também não conta, isso diminui em grande parte as responsabilidades diárias). Os fotógrafos precisam gostar do que fazem e saber algo sobre fotografia, o inglês é muito importante na hora de mandar sorrir, animar a festa e posicionar os hóspedes mais afoitos.
Dentro do setor de serviços aos hóspedes temos também os camareiros, estes são na maioria Filipinos, sempre muito dispostos, fazem um bom dinheiro no fim do mês por conta das gorjetas.
Meu navio, o Crown Princess faz um trajeto que dura sete dias e abrange boa parte do Caribe: primeiro dia estamos no porto de Fort Lauderdale; segundo estamos no mar; no terceiro ficamos em Grand Cayman, a maior das ilhas Caimã; quarto dia Roatã; quinto sempre em Cozumel; no sexto dia o barco segue navegando e no sétimo ficamos em Princess Cays, ilha exclusiva para embarcações da empresa.
Enquanto o barco segue seu caminho, eu sigo o meu curso. Agora já é hora de voltar para dentro do barco, daqui a dez minutos preciso me apresentar para o treinamento de emergência que acontece em todos os cruzeiros durante o primeiro dia.
Para os que trabalham com alimentos e bebidas, a vida é mais complicada. Enquanto eu e meus amigos trabalhamos uma média de nove horas por dia, os garçons, ajudantes e auxiliares de restaurante parecem trabalhar umas doze horas no mínimo. Vários são aqueles que já estão indo para o quarto ou quinto contrato, mas até agora não conheci um que tenha me dito: Adoro meu trabalho!
Os que trabalham no cassino, lojas, fotografia e entretenimento possuem mais chances de sair e conhecer todos os portos em que paramos (cassinos e lojas não abrem quando o navio está atracado; entretenimento sem gente no navio também não conta, isso diminui em grande parte as responsabilidades diárias). Os fotógrafos precisam gostar do que fazem e saber algo sobre fotografia, o inglês é muito importante na hora de mandar sorrir, animar a festa e posicionar os hóspedes mais afoitos.
Dentro do setor de serviços aos hóspedes temos também os camareiros, estes são na maioria Filipinos, sempre muito dispostos, fazem um bom dinheiro no fim do mês por conta das gorjetas.
Meu navio, o Crown Princess faz um trajeto que dura sete dias e abrange boa parte do Caribe: primeiro dia estamos no porto de Fort Lauderdale; segundo estamos no mar; no terceiro ficamos em Grand Cayman, a maior das ilhas Caimã; quarto dia Roatã; quinto sempre em Cozumel; no sexto dia o barco segue navegando e no sétimo ficamos em Princess Cays, ilha exclusiva para embarcações da empresa.
Enquanto o barco segue seu caminho, eu sigo o meu curso. Agora já é hora de voltar para dentro do barco, daqui a dez minutos preciso me apresentar para o treinamento de emergência que acontece em todos os cruzeiros durante o primeiro dia.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Quero Ver Até Quando
Me perguntaram outro dia como eu faço para estar sempre sorrindo, achei estranho. Embarquei para trabalhar com um grupo de pessoas sobre um aglomerado de máquinas e toneladas de ferros flutuantes, onde um dos princípios mais citados é lembrar que estamos sempre no palco; sendo assim, por que me fazer essa pergunta?
Vai fazer um mês que estou aqui e até então sigo sorrindo, nem sempre aquele sorriso largo que damos quando vemos algo engraçado, nem sempre aquele sorriso que preconiza uma gargalhada compulsiva, mas ainda assim sorrindo.
Sorriso: o principal instrumento que levo todos os dias para dentro do escritório além da garrafa d’água.
Tem pessoas que parecem perder tempo contando os dias para te ver reclamar, outros que parecem contar os dias para poder reclamar, aqueles que parecem contar os dias em que vão reclamar, outros que parecem reclamar apenas por não ter do que reclamar!
Navio: Toneladas de ferros (e reclamações) flutuantes indo mais uma vez para a ensolarada Cozumel.
Não quero que tenham a impressão de que as pessoas aqui não são felizes, pelo contrário, a energia dentro desse grande barco é sempre muito intensa e positiva, porém... vai ter bicho igual o homem para reclamar!
Não sou diferente, também tenho os meus momentos, mas sinceramente, estou no maior clima com o mar. “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”. O navio me deu asas, e tem uma força que todos os dias me ensina mais um pouco como voar. Sigo feliz.
Vai fazer um mês que estou aqui e até então sigo sorrindo, nem sempre aquele sorriso largo que damos quando vemos algo engraçado, nem sempre aquele sorriso que preconiza uma gargalhada compulsiva, mas ainda assim sorrindo.
Sorriso: o principal instrumento que levo todos os dias para dentro do escritório além da garrafa d’água.
Tem pessoas que parecem perder tempo contando os dias para te ver reclamar, outros que parecem contar os dias para poder reclamar, aqueles que parecem contar os dias em que vão reclamar, outros que parecem reclamar apenas por não ter do que reclamar!
Navio: Toneladas de ferros (e reclamações) flutuantes indo mais uma vez para a ensolarada Cozumel.
Não quero que tenham a impressão de que as pessoas aqui não são felizes, pelo contrário, a energia dentro desse grande barco é sempre muito intensa e positiva, porém... vai ter bicho igual o homem para reclamar!
Não sou diferente, também tenho os meus momentos, mas sinceramente, estou no maior clima com o mar. “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”. O navio me deu asas, e tem uma força que todos os dias me ensina mais um pouco como voar. Sigo feliz.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Trezentos e Sessenta e Cinco Dias
Muita coisa aconteceu desde nosso último contato. O ano virou, passei meu primeiro aniversário longe de casa, longe dos amigos, mas ainda assim feliz. Tenho dentro do peito aquele sentimento de êxito que não me deixa escapar por um segundo, que foi por conta do esforço de poucas pessoas, minha mãe, irmão e pai em primeiro plano, que eu cheguei até aqui.
Quando penso em cada um deles, sempre me lembro do tempo que foi dedicado a minha educação, alimentação e desenvolvimento; minha mãe sem dúvida não gosta de ouvir isso, mas vivi e ainda vivo um mundo capitalista; grande parte do que temos a agradecer se refere ao dinheiro.
É claro que agradeço pelo carinho, pela atenção, pela liberdade de expressão, pelo diálogo, pela diversidade e aceitação, mas não posso deixar de lembrar que para isso tudo acontecer eu precisei de comida, casa, conforto e outras bugigangas e “alguma coisa” players. Viver é um ato de espírito, mas também envolve capital; poucos tiveram tudo o que eu tive e quando coloquei na cabeça que embarcaria só tinha uma certeza: quero que mais alguém lá na frente possa ter tudo o que eu tive e tenha a chance de ajudar não só a uma como a muitas pessoas.
Trabalhei muito por esses dias, porém não posso deixar de citar a energia que é possível sentir em determinados lugares: ficar bêbado sem ter que beber, sentir-se em uma viagem sem fim sem droga nenhuma, é tudo incrível! O aniversário foi sem bolo, mas foi doce como uma das trufas da Cris; visitei Cozumel, umas das ilhas do México.
Lá existe um bar chamado “Noname”, foi aberto algumas décadas atrás por um casal de ex-tripulantes, tem piscina, sol, música e a tal da Corona, a famosa cerveja mexicana!
Visitei Saint Thomas, Barbados e Dominica, ilhas diferentes do Caribe. Fiz uma excursão um dia desses, um circuito completo de tirolesas no meio da floresta, foi muito legal, mas infelizmente não é permitido tirar fotos.
O tempo segue e eu aqui no balanço do mar, só posso afirmar uma coisa: Tudo novo que vejo é um desenvolvimento do velho, seja que, não existe o novo ou o velho, apenas existe.
O meu ano novo já começou faz tempo. Amo vocês! Fiquem com Deus que eu vou com Ele voltar para o barco.
Quando penso em cada um deles, sempre me lembro do tempo que foi dedicado a minha educação, alimentação e desenvolvimento; minha mãe sem dúvida não gosta de ouvir isso, mas vivi e ainda vivo um mundo capitalista; grande parte do que temos a agradecer se refere ao dinheiro.
É claro que agradeço pelo carinho, pela atenção, pela liberdade de expressão, pelo diálogo, pela diversidade e aceitação, mas não posso deixar de lembrar que para isso tudo acontecer eu precisei de comida, casa, conforto e outras bugigangas e “alguma coisa” players. Viver é um ato de espírito, mas também envolve capital; poucos tiveram tudo o que eu tive e quando coloquei na cabeça que embarcaria só tinha uma certeza: quero que mais alguém lá na frente possa ter tudo o que eu tive e tenha a chance de ajudar não só a uma como a muitas pessoas.
Trabalhei muito por esses dias, porém não posso deixar de citar a energia que é possível sentir em determinados lugares: ficar bêbado sem ter que beber, sentir-se em uma viagem sem fim sem droga nenhuma, é tudo incrível! O aniversário foi sem bolo, mas foi doce como uma das trufas da Cris; visitei Cozumel, umas das ilhas do México.
Lá existe um bar chamado “Noname”, foi aberto algumas décadas atrás por um casal de ex-tripulantes, tem piscina, sol, música e a tal da Corona, a famosa cerveja mexicana!
Visitei Saint Thomas, Barbados e Dominica, ilhas diferentes do Caribe. Fiz uma excursão um dia desses, um circuito completo de tirolesas no meio da floresta, foi muito legal, mas infelizmente não é permitido tirar fotos.
O tempo segue e eu aqui no balanço do mar, só posso afirmar uma coisa: Tudo novo que vejo é um desenvolvimento do velho, seja que, não existe o novo ou o velho, apenas existe.
O meu ano novo já começou faz tempo. Amo vocês! Fiquem com Deus que eu vou com Ele voltar para o barco.
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