Olha lá, você lendo e eu aqui deitando nessas linhazinhas de computador um mundo de informação que passa pela minha cabeça. Pode chamar o Nilo, conta ainda com aquele Nilo que você conheceu um dia; aquele que sempre tentei promover através de músicas, desenhos, cores e fotos, mas é que hoje resolvi me aconchegar aqui nesse amontoado de palavras; me concentrar no que estou sentindo e fica quieto num canto de parágrafo, para depois me jogar para outro suavemente.
Tudo isso só para falar que depois de alguns meses chega a hora de assumir que há um dia chuvoso brotando dentro da minha mente; vejo as idéias reunidas em um corpo sentado em um banco, esperando o ônibus que vai me levar para a cama depois de um dia intenso.
Já não me refiro à América que ficou lá atrás, à areia branca de Caimã, aos altos e baixos do contorno de Roatã, aos carros velozes passeando por Miami ou à água gostosa do mar caribenho; nem mesmo me sinto assim porque já consigo sentir saudade de tudo isso que estou vendo em um novo continente, confesso que vou seguir um pouco além disso.
Tem um texto da Clarice, é! Da Clarice Lispector, que diz que tudo é efêmero, é verdade! Meu desafio é colocar o coração para seguir a ordem dos fatos; pois se às vezes passamos por momentos difíceis, tem momentos que a realidade e tão farta em açúcar que é difícil parar para escovar os dentes.
Me adapto e sempre vou me adaptar, o problema é quando falamos de pessoas: Três dias para partir, para deixar o Crown, para me despedir daqueles que ainda que eu saiba que vou acabar por me esquecer, não me esquecerei jamais. Olho em volta, vejo a fila de passageiros na minha frente, olho os amigos ao me lado e ainda que melancólico, eu sou convidado a aceitar que eu também sou passageiro aqui.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
O Monstro do Lago Ness
Dez horas e lá vou eu correndo ao Crew Office buscar as chaves da bicicleta número doze. O Branko vai comigo dessa vez, o sérvio até que pareceu bem disposto quando eu disse que o destino ficava a algumas milhas de distância.
O Branko é um dos amigos que vou lembrar depois que deixar esse navio, é o gerente do serviço de internet a bordo e dá maior força pra minhas metas de longo alcance.
Passei pelo meu quarto, troquei de roupa, lutei para achar algo que fosse suficientemente confortável e por fim depois de muito discutir com o meu ego insano, acabei por sair de casaco... Mas, de bermuda.
Invergordon, Escócia, nove graus Celsius, e lá vamos nós. O Branko riu quando me viu carregando três garrafas d’água na mochilona da Oakley. Invergordon, Escócia: QUARENTA E CINCO MILHAS DE INVERNESS!
Por essa eu não esperava, o destino desejado ficava além do meu tempo livre naquele dia frio. A saída era dar meia-volta, guardar a bike, sentar em um pub, comprar um kilt e rir da aventura furada, mas... Sou péssimo em aceitar as saídas e acabei por enxergar uma entrada; Branko concordou comigo: - Estamos aqui, então... Bora pedalar!
Foram três horas pedalando forte, tão forte ao ponto de voltar totalmente desconcertado em comparação com os turistas a minha volta. Já não tinha casaco e nada de meias de frio. O terreno aberto, pleno em cores verdes e as casinhas no alto dos morros, dignas dos mais belos cenários medievais me fizeram esquecer a baixa temperatura. Cada terreno aberto, cada pequeno lago só me aumentava a curiosidade, as placas passavam, as milhas correram e quando vimos... Era hora de voltar.
Lição número tal para futuros navegantes: O intervalo entre seus dois períodos de trabalho pode ser grande, mas nem sempre grande o suficiente para visitar as maiores maravilhas de determinados portos. Nesse caso não chegamos exatamente onde tentamos: O Lago Ness, o Loch Ness, o Lago do Filme, Aquele do Monstro...
Já acomodados em um pub, pertinho do navio, cerveja local na mão e câmera na outra, o Branko analisa as fotos, larga o copo gigantesco na mesa, pega umas batatas fritas, come, olha de novo para as fotos, olha pra mim, olha para o visor da máquina novamente e questiona: Vem cá? Afinal, se não fomos ao Ness, que lago é esse?! O que é que eu vou falar lá em casa?!
Conclusão: Fui ao Loch Ness e foi maravilhoso! Não acredita?! Dá uma passadinha na Escócia e confirma.
O Branko é um dos amigos que vou lembrar depois que deixar esse navio, é o gerente do serviço de internet a bordo e dá maior força pra minhas metas de longo alcance.
Passei pelo meu quarto, troquei de roupa, lutei para achar algo que fosse suficientemente confortável e por fim depois de muito discutir com o meu ego insano, acabei por sair de casaco... Mas, de bermuda.
Invergordon, Escócia, nove graus Celsius, e lá vamos nós. O Branko riu quando me viu carregando três garrafas d’água na mochilona da Oakley. Invergordon, Escócia: QUARENTA E CINCO MILHAS DE INVERNESS!
Por essa eu não esperava, o destino desejado ficava além do meu tempo livre naquele dia frio. A saída era dar meia-volta, guardar a bike, sentar em um pub, comprar um kilt e rir da aventura furada, mas... Sou péssimo em aceitar as saídas e acabei por enxergar uma entrada; Branko concordou comigo: - Estamos aqui, então... Bora pedalar!
Foram três horas pedalando forte, tão forte ao ponto de voltar totalmente desconcertado em comparação com os turistas a minha volta. Já não tinha casaco e nada de meias de frio. O terreno aberto, pleno em cores verdes e as casinhas no alto dos morros, dignas dos mais belos cenários medievais me fizeram esquecer a baixa temperatura. Cada terreno aberto, cada pequeno lago só me aumentava a curiosidade, as placas passavam, as milhas correram e quando vimos... Era hora de voltar.
Lição número tal para futuros navegantes: O intervalo entre seus dois períodos de trabalho pode ser grande, mas nem sempre grande o suficiente para visitar as maiores maravilhas de determinados portos. Nesse caso não chegamos exatamente onde tentamos: O Lago Ness, o Loch Ness, o Lago do Filme, Aquele do Monstro...
Já acomodados em um pub, pertinho do navio, cerveja local na mão e câmera na outra, o Branko analisa as fotos, larga o copo gigantesco na mesa, pega umas batatas fritas, come, olha de novo para as fotos, olha pra mim, olha para o visor da máquina novamente e questiona: Vem cá? Afinal, se não fomos ao Ness, que lago é esse?! O que é que eu vou falar lá em casa?!
Conclusão: Fui ao Loch Ness e foi maravilhoso! Não acredita?! Dá uma passadinha na Escócia e confirma.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Do Outro lado do Oceano
Olá! Quanto tempo se passou desde que escrevi pela última vez! O tempo voa aqui dentro e é hora de voltar à atividade; creio que a primeira parte da minha história de primeiro contrato já se foi faz tempo, mas, ainda assim, de hoje em diante, quero guiar cada palavra de uma forma nova, nada de segunda parte! Digamos que comecei uma nova temporada.
Meu navio, o Crown, finalmente deu continuidade ao seu itinerário e agora eu vim parar na Europa. Foram sete dias de mar desde que partimos de Miami. Ao chegar a Europa fomos primeiro para Açores, onde tive oportunidade de conhecer Ponta Delgada.
Ponta Delgada é um dos portos mais conhecidos do Arquipélago de Açores, lá todos falam o português e a ilha é bem respeitada, pois é na verdade o cume da montanha mais alta do mundo (ainda que afogada em milhares de litros de água fria).
De lá partimos para Lisboa, a cidade é incrível, estranha sensação de estar caminhando em um misto de Lapa e Santa Tereza, cercado por igrejas, monumentos e arcos gigantescos. As pessoas são amigáveis e possui uma moda bem alternativa. E claro... Garrafas de vinho para todo lado, nem eu consegui escapar e acabei comprando algumas.
Rotterdam foi nossa próxima parada; a cidade que é uma das dez cidades mais caras do planeta fica a duas horas de distância de Amsterdam, lá os locais fazem questão de falar algo que soa como “se é por profissão fica em Rotterdam se é por curtição vai já pra Amsterdam”.
Como o tempo foi curto acabei ficando por Rotterdam, fui ao meu primeiro pub desde que cheguei a Europa e não poderia faltar cerveja local e bom rock para acompanhar cada gole.
O tempo continuou e quando vi, já tínhamos passado por vários portos que não posso esperar a hora de visitar novamente. A Europa se tornou diante dos meus olhos um mundo de castelos, lendas e pubs!
Cobh foi o porto usado na visita a Cork, uma das ilhas da Irlanda; Dublin é uma cidade mágica, tradicional e muito famosa, pois é de lá que vem a Guiness e hoje... Estamos em Liverpool!
Beatles, pubs, frio, decoração, museus, igrejas, construções modernas e ônibus de dois andares. Finalmente sinto o que é chegar ao Reino Unido, já que os dois últimos portos não fazem parte do mesmo.
O Gonzalo, meus segundo companheiro de quarto terminou mais um contrato; depois disso, eu dividi a cabine com o Nimbrod, um filipino que ficou aqui só por dois dias. Fiquei sozinho por uma semana e agora tenho um novo amigo, o Alex, o russo é genial e tem sempre uma história nova para compartilhar.
Mantenho meus passos a base de muita responsabilidade com minha alimentação e preparo físico, continuo lutando para dormir um número aceitável de horas de sono, e posso dizer que abri a cabeça para novos amigos, me sinto mais unido, me sinto mais parte do navio.
Meu navio, o Crown, finalmente deu continuidade ao seu itinerário e agora eu vim parar na Europa. Foram sete dias de mar desde que partimos de Miami. Ao chegar a Europa fomos primeiro para Açores, onde tive oportunidade de conhecer Ponta Delgada.
Ponta Delgada é um dos portos mais conhecidos do Arquipélago de Açores, lá todos falam o português e a ilha é bem respeitada, pois é na verdade o cume da montanha mais alta do mundo (ainda que afogada em milhares de litros de água fria).
De lá partimos para Lisboa, a cidade é incrível, estranha sensação de estar caminhando em um misto de Lapa e Santa Tereza, cercado por igrejas, monumentos e arcos gigantescos. As pessoas são amigáveis e possui uma moda bem alternativa. E claro... Garrafas de vinho para todo lado, nem eu consegui escapar e acabei comprando algumas.
Rotterdam foi nossa próxima parada; a cidade que é uma das dez cidades mais caras do planeta fica a duas horas de distância de Amsterdam, lá os locais fazem questão de falar algo que soa como “se é por profissão fica em Rotterdam se é por curtição vai já pra Amsterdam”.
Como o tempo foi curto acabei ficando por Rotterdam, fui ao meu primeiro pub desde que cheguei a Europa e não poderia faltar cerveja local e bom rock para acompanhar cada gole.
O tempo continuou e quando vi, já tínhamos passado por vários portos que não posso esperar a hora de visitar novamente. A Europa se tornou diante dos meus olhos um mundo de castelos, lendas e pubs!
Cobh foi o porto usado na visita a Cork, uma das ilhas da Irlanda; Dublin é uma cidade mágica, tradicional e muito famosa, pois é de lá que vem a Guiness e hoje... Estamos em Liverpool!
Beatles, pubs, frio, decoração, museus, igrejas, construções modernas e ônibus de dois andares. Finalmente sinto o que é chegar ao Reino Unido, já que os dois últimos portos não fazem parte do mesmo.
O Gonzalo, meus segundo companheiro de quarto terminou mais um contrato; depois disso, eu dividi a cabine com o Nimbrod, um filipino que ficou aqui só por dois dias. Fiquei sozinho por uma semana e agora tenho um novo amigo, o Alex, o russo é genial e tem sempre uma história nova para compartilhar.
Mantenho meus passos a base de muita responsabilidade com minha alimentação e preparo físico, continuo lutando para dormir um número aceitável de horas de sono, e posso dizer que abri a cabeça para novos amigos, me sinto mais unido, me sinto mais parte do navio.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Realizando
Tem barulho nessa cabeça. “Pergunto-me de onde vem e como vem” (dedico ao meu irmão, vide comentário no ultimo texto). Hoje o corretor me corrige, escrevo de casa (digo cabine), digo, desculpe-me por interromper os parênteses, mas é que preciso corrigir o corretor, pois das novas o automático não sabe de tudo por inteiro.
Na vida a bordo tem algo bem positivo: Não dá tempo de se cansar de alguém; até dá, mas quando você para e analisa, a pessoa em questão já se foi embora. O chefe mandão não existirá mais, a pessoa que te assedia está na última semana, o cara que só reclama ficou para a história lá atrás e você... Bem, você provavelmente já estará indo embora quando começar a pensar nisso tudo. Tudo se encaminha no ritmo dos mares, somos todas as partes de um grande cardume de peixes (que brega).
O peixe em questão vai ficar na saudade, meu primeiro companheiro de quarto foi embora com sua namorada; Ele disse que não vai voltar mais, quer ter uma vida normal lá fora: Casar e ter filhos, realizar o que ainda não se deu a chance de ser feito.
Tudo, até então, se resumiu em realizações pessoais e essas, a cada dia que passa, se tornam mais claras e objetivas. Sinto-me realizado com o meu trabalho, realizado com minha liberdade e poder de criar e compartilhar com o mundo de minhas idéias.
Não existe nada impossível, o que descobri até agora foi o ato passível de acreditar que não se pode fazer algo. Leio quando posso, como quando posso, respiro quando posso e por que não poderia realizar algo quando posso? Posso tudo Naquele que me fortalece, mas não de uma vez... Nota: Lembrar disso no futuro!
Parece que o pedido de comentários e sinais de vida surtiu efeito! Positividade para todos!
Na vida a bordo tem algo bem positivo: Não dá tempo de se cansar de alguém; até dá, mas quando você para e analisa, a pessoa em questão já se foi embora. O chefe mandão não existirá mais, a pessoa que te assedia está na última semana, o cara que só reclama ficou para a história lá atrás e você... Bem, você provavelmente já estará indo embora quando começar a pensar nisso tudo. Tudo se encaminha no ritmo dos mares, somos todas as partes de um grande cardume de peixes (que brega).
O peixe em questão vai ficar na saudade, meu primeiro companheiro de quarto foi embora com sua namorada; Ele disse que não vai voltar mais, quer ter uma vida normal lá fora: Casar e ter filhos, realizar o que ainda não se deu a chance de ser feito.
Tudo, até então, se resumiu em realizações pessoais e essas, a cada dia que passa, se tornam mais claras e objetivas. Sinto-me realizado com o meu trabalho, realizado com minha liberdade e poder de criar e compartilhar com o mundo de minhas idéias.
Não existe nada impossível, o que descobri até agora foi o ato passível de acreditar que não se pode fazer algo. Leio quando posso, como quando posso, respiro quando posso e por que não poderia realizar algo quando posso? Posso tudo Naquele que me fortalece, mas não de uma vez... Nota: Lembrar disso no futuro!
Parece que o pedido de comentários e sinais de vida surtiu efeito! Positividade para todos!
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Quatro Meses sem "Pontuacao" Adequada
Hoje resolvi escrever daqui mesmo onde estou agora. Nao resolvi, aconteceu. Aconteceu pois a medida em que viajo nessa "maionese" de novas ideais e lugares, o tempo comeca a ser pouco para agarrar cada oportunidade e novo desafio. Estou no "Noname", um bar para crew members, aqui em Cozumel.
Abril na metade e eu proximo dos meus quatro meses desde o inico do contrato. Posso dizer que ate entao so tive experiencias boas, escrevo isso levando em conta que tudo veio gracas a minha facilidade de ver o lado bom de tudo.
Enquanto vejo cada palavra ser sublinhada pelos erros de ortografia (o teclado e totalmente diferente dos brasileiros), encho meus ouvidos com as batidas pesadas do Black Eyed Peas "Time of My Life" tocando perto da piscina, enquanto um dos meus amigos servios canta e joga sinuca, ja alterado pelo numero de goles de Corona com limao.
Faz muito calor, o que nao e novidade para um cruzeiro no Caribe. Hoje so trabalho de noite e assim que terminar aqui, me encontro com um pessoal do barco para visitarmos uma praia conhecida pelos fas de snorkel (aquele mergulho com pes de pato, tubo e oculos engracado).
Desde meu ultimo post algumas coisas mudaram: Meu companheiro de quarto terminou seu contrato e por conta disso fiquei com a cabine so para mim. Outra mudanca e que agora trabalho na recepcao apenas meio periodo, a outra metade me dedico a Artes (sou responsavel pelos lancamentos e balanco de tudo o que e leiloado).
Um beijo para todos aqueles que mesmo desse lado se preocupam com o meu sucesso e minhas caminhadas por esse mar azul. Um beijo maior ainda para todos aqueles que quando passam por aqui fazem questao de escrever algo, saibam que tambem me pergunto como estao todos por ai. Um Beijo. Fiquem com Deus... Hora de dar um pulo naquela piscina, comecou a tocar Blink 182 "The Party Song"!
Abril na metade e eu proximo dos meus quatro meses desde o inico do contrato. Posso dizer que ate entao so tive experiencias boas, escrevo isso levando em conta que tudo veio gracas a minha facilidade de ver o lado bom de tudo.
Enquanto vejo cada palavra ser sublinhada pelos erros de ortografia (o teclado e totalmente diferente dos brasileiros), encho meus ouvidos com as batidas pesadas do Black Eyed Peas "Time of My Life" tocando perto da piscina, enquanto um dos meus amigos servios canta e joga sinuca, ja alterado pelo numero de goles de Corona com limao.
Faz muito calor, o que nao e novidade para um cruzeiro no Caribe. Hoje so trabalho de noite e assim que terminar aqui, me encontro com um pessoal do barco para visitarmos uma praia conhecida pelos fas de snorkel (aquele mergulho com pes de pato, tubo e oculos engracado).
Desde meu ultimo post algumas coisas mudaram: Meu companheiro de quarto terminou seu contrato e por conta disso fiquei com a cabine so para mim. Outra mudanca e que agora trabalho na recepcao apenas meio periodo, a outra metade me dedico a Artes (sou responsavel pelos lancamentos e balanco de tudo o que e leiloado).
Um beijo para todos aqueles que mesmo desse lado se preocupam com o meu sucesso e minhas caminhadas por esse mar azul. Um beijo maior ainda para todos aqueles que quando passam por aqui fazem questao de escrever algo, saibam que tambem me pergunto como estao todos por ai. Um Beijo. Fiquem com Deus... Hora de dar um pulo naquela piscina, comecou a tocar Blink 182 "The Party Song"!
quarta-feira, 16 de março de 2011
Sorriso com Terra nos Dentes
E assim continuo. Começo com essa frase esculpida em toneladas de energia e bom humor. Viver num barco! Olho lá para fora e vejo que como o mar, todo o cenário muda a cada dia.
A vida a bordo, sem dúvida, é bem diferente do que imaginamos quando estamos do lado de fora. Sei que é real, pois estou passando por ela, mais ainda que proporcione alguma dificuldade, é recompensadora. Aqui eu não me preocupo com trânsito parado, com poluição sonora, com desigualdade social, contas a pagar (exceto a do bar), com a comida que não preparei do jeito que eu imaginara e assim por diante.
Existem os desafios, cito os mais comuns que percebi entre meus companheiros navegantes: sentir-se preso, tédio, estresse, desprezo pelo simples e solidão. Felizmente de todos os principais sintomas me identifiquei apenas com o estresse; os outros me passaram despercebidos, talvez pelo fato de ser meu primeiro contrato, somado com minha facilidade de ver o lado bom das coisas a ainda com a satisfação de abraçar tudo o que Deus me proporciona.
Meu maior dilema é a tal da “alienação”. Acho que a essa altura, já devo ter o mesmo número de citações para ela e “navio”. É que certas coisas me incomodam.
Quando em terra, assistimos a maioria dos desastres e conflitos do mundo através dos canais de mídia. A mensagem pode ser alterada, deturpada, estraçalhada por completa, mais ainda assim trás algum ponto de verdade que poderá ser confirmado se compararmos uma com outra qualquer.
Já aqui dentro, nem isso acontece. Acordamos e ao menos que seja de nosso interesse, vivemos isentos dos afazeres terrestres alheios, e coloco terrestre nisso! Dois dias desde o desastre no Japão e ainda tem muita gente passando só pelo “ouvi falar”. Eu mesmo, algumas semanas atrás, demorei dois dias, até saber por um hóspede, que Teresópolis estava deslizando com tudo em cima.
Aí me pergunto? A falha é nossa, de não nos interessarmos pelos acontecimentos a nossa volta, ou foi a tal da globalização que nos uniu demais e já não nos dá mais tempo de nos conhecermos e estudarmos nosso planeta antes de destruir-lo?
Informado ou não, voltando para minha vida a bordo; não muito preocupado com uma resposta clara para minha questão (não muda nada para mim se quem veio primeiro foi o ovo ou a galinha para achar que comer o ovo é menos cruel) só sei que, me encontro realizado quando penso em trabalho, mas darei sempre o mesmo conselho para os que me perguntarem:
“Pergunte. Questione. Não quer incomodar os outros, eu entendo... Questione a si mesmo. Não tenha todas as respostas, mas busque uma.”
A vida a bordo, sem dúvida, é bem diferente do que imaginamos quando estamos do lado de fora. Sei que é real, pois estou passando por ela, mais ainda que proporcione alguma dificuldade, é recompensadora. Aqui eu não me preocupo com trânsito parado, com poluição sonora, com desigualdade social, contas a pagar (exceto a do bar), com a comida que não preparei do jeito que eu imaginara e assim por diante.
Existem os desafios, cito os mais comuns que percebi entre meus companheiros navegantes: sentir-se preso, tédio, estresse, desprezo pelo simples e solidão. Felizmente de todos os principais sintomas me identifiquei apenas com o estresse; os outros me passaram despercebidos, talvez pelo fato de ser meu primeiro contrato, somado com minha facilidade de ver o lado bom das coisas a ainda com a satisfação de abraçar tudo o que Deus me proporciona.
Meu maior dilema é a tal da “alienação”. Acho que a essa altura, já devo ter o mesmo número de citações para ela e “navio”. É que certas coisas me incomodam.
Quando em terra, assistimos a maioria dos desastres e conflitos do mundo através dos canais de mídia. A mensagem pode ser alterada, deturpada, estraçalhada por completa, mais ainda assim trás algum ponto de verdade que poderá ser confirmado se compararmos uma com outra qualquer.
Já aqui dentro, nem isso acontece. Acordamos e ao menos que seja de nosso interesse, vivemos isentos dos afazeres terrestres alheios, e coloco terrestre nisso! Dois dias desde o desastre no Japão e ainda tem muita gente passando só pelo “ouvi falar”. Eu mesmo, algumas semanas atrás, demorei dois dias, até saber por um hóspede, que Teresópolis estava deslizando com tudo em cima.
Aí me pergunto? A falha é nossa, de não nos interessarmos pelos acontecimentos a nossa volta, ou foi a tal da globalização que nos uniu demais e já não nos dá mais tempo de nos conhecermos e estudarmos nosso planeta antes de destruir-lo?
Informado ou não, voltando para minha vida a bordo; não muito preocupado com uma resposta clara para minha questão (não muda nada para mim se quem veio primeiro foi o ovo ou a galinha para achar que comer o ovo é menos cruel) só sei que, me encontro realizado quando penso em trabalho, mas darei sempre o mesmo conselho para os que me perguntarem:
“Pergunte. Questione. Não quer incomodar os outros, eu entendo... Questione a si mesmo. Não tenha todas as respostas, mas busque uma.”
Trocando o Dia pela Noite
Toca o despertador, acorda o boneco assustado. Sem jeito, pula da cama para o chão como se tivesse ouvido o “Abandonar Navio”. Ele se arruma, faz a barba, quase não tem. Escova os dentes, veste a farda de todos os dias e sai pronto para desejar um bom dia energético para o primeiro que lhe aparecer. ERRADO! Agora deve dar boa noite, mas vai tomar tempo para se acostumar.
Esse sou eu aqui e agora. Agora que leio já não sou mais o mesmo. Agora que você lê já não sou mais o mesmo. Eu fui eu e agora já sou outro que já não sou mais. Isso é mais ou menos o que passa pela minha cabeça quando paro para pensar que já se foram dois meses desde que entrei para o barco.
Mudo a cada dia e cada dia muda minha rotina de uma maneira que não tenho como não agradecer por tudo o que estou passando. Agora estou trabalhando a noite. Trabalho de onze até oito da manhã. Sou eu e eu na Recepção e agora quando eu faço algo errado, corro logo para supervisão para culpar a mim mesmo, assim eu evito problemas. Trabalhar comigo é legal, mas tem hora que perco a paciência comigo mesmo.
Em suma (tipo clichê de dissertação), estou fazendo o night shift, pois dessa forma aprendo mais sobre os detalhes financeiros e sistemas do navio; consigo programar meu dia para excursões e adquiro uma experiência que poucos têm (poucos querem trabalhar a noite).
Esse sou eu aqui e agora. Agora que leio já não sou mais o mesmo. Agora que você lê já não sou mais o mesmo. Eu fui eu e agora já sou outro que já não sou mais. Isso é mais ou menos o que passa pela minha cabeça quando paro para pensar que já se foram dois meses desde que entrei para o barco.
Mudo a cada dia e cada dia muda minha rotina de uma maneira que não tenho como não agradecer por tudo o que estou passando. Agora estou trabalhando a noite. Trabalho de onze até oito da manhã. Sou eu e eu na Recepção e agora quando eu faço algo errado, corro logo para supervisão para culpar a mim mesmo, assim eu evito problemas. Trabalhar comigo é legal, mas tem hora que perco a paciência comigo mesmo.
Em suma (tipo clichê de dissertação), estou fazendo o night shift, pois dessa forma aprendo mais sobre os detalhes financeiros e sistemas do navio; consigo programar meu dia para excursões e adquiro uma experiência que poucos têm (poucos querem trabalhar a noite).
Assinar:
Postagens (Atom)